Turquia prende 42 pessoas por distribuir ajuda no Ramadã a famílias do Movimento Hizmet
Data: 6 de abril de 2026
A polícia turca deteve na quinta-feira 42 pessoas, a maioria mulheres, acusadas de prestar assistência financeira durante o Ramadã a famílias de indivíduos presos ou demitidos de seus empregos por suposta ligação com o Movimento Hizmet, conforme relatou o Centro de Liberdade de Estocolmo.
As detenções foram realizadas em operações ao amanhecer em seis províncias, como parte de uma investigação com sede em Manisa sobre ajuda supostamente entregue a pessoas vinculadas ao movimento durante o mês sagrado do islã.
Segundo os relatos, a polícia arrombou portas durante as operações e negou aos detidos o acesso a advogados.
Em uma investigação separada, a polícia deteve na segunda-feira 19 pessoas em 13 províncias, acusadas de manter vínculos com o Movimento Hizmet. Os promotores haviam expedido mandados de detenção para 20 pessoas nessa investigação, com diligências em andamento para deter o indivíduo restante.
O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan persegue os seguidores do Movimento Hizmet, inspirado pelo falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção em dezembro de 2013 o implicaram, junto a membros de sua família e assessores próximos. Erdoğan descartou as investigações como uma conspiração do Movimento Hizmet e, posteriormente, classificou a organização como terrorista em maio de 2016, intensificando a repressão generalizada após uma tentativa de golpe em julho do mesmo ano, que atribuiu a Gülen. O movimento nega envolvimento na tentativa de golpe ou qualquer atividade terrorista.
Após o golpe fracassado, o governo turco decretou estado de emergência, que permaneceu em vigor até 19 de julho de 2018. Durante esse período, o governo realizou um expurgo das instituições estatais sob o pretexto do combate ao golpe, editando uma série de decretos. Mais de 130.000 servidores públicos — incluindo 4.156 juízes e promotores, além de mais de 24.000 militares — foram sumariamente exonerados por suposta vinculação a “organizações terroristas”, por meio de decretos-lei de emergência que não estavam sujeitos a qualquer fiscalização judicial ou parlamentar.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Justiça, mais de 126.000 pessoas foram condenadas por supostos vínculos com o movimento desde 2016, com 11.085 ainda cumprindo pena. Os processos judiciais continuam para mais de 24.000 indivíduos, enquanto outras 58.000 permanecem sob investigação quase uma década depois.
Fonte: Turkey detains 42 over Ramadan aid to families linked to Gülen movement – Turkish Minute



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