Orhan Uzuner, sogro de Bilal Erdogan, lidera rede nacional que combina treinamento de emergência com capacidade de mobilização rápida em defesa do governo turco, segundo investigação do Nordic Monitor.
Política
Turquia adia votação da polêmica “Lei da Pátria Azul” antes da cúpula da OTAN em Ancara. Erdogan mantém o projeto como possível carta eleitoral em meio à fragilidade econômica do país.
Assessor de Erdoğan propõe eleições em abril de 2028 para permitir que o presidente turco concorra a mais um mandato. A manobra depende de votação parlamentar e reacende o debate sobre limites constitucionais.
**O principal partido de oposição da Turquia, o CHP, acusou o presidente Recep Tayyip Erdoğan de tentar se manter no poder eliminando alternativas políticas ao eleitorado, após decisão judicial que destituiu seu líder eleito, Özgür Özel, e reconduzeu o ex-presidente Kemal Kılıçdaroğlu ao cargo. Em discurso desafiador no Parlamento turco, Özel afirmou que a crise vai além de uma disputa interna partidária e representa uma ameaça direta à democracia no país.**
O judiciário da Turquia foi transformado em um instrumento de controle político sob o presidente Recep Tayyip Erdoğan, enfraquecendo os freios e contrapesos institucionais e viabilizando a supressão da dissidência, aponta novo relatório do Projeto de Suporte a Litígios de Direitos Humanos da Turquia (TLSP). O documento identifica interferência política na governança judicial, expurgos em massa e uso do direito penal contra críticos do governo como os principais mecanismos por trás do colapso da independência judicial no país.
Parente do presidente turco revela objetivo de Erdogan de ressuscitar a autoridade religiosa otomana
Sadık Albayrak, sogro do ex-ministro Berat Albayrak e parente por casamento de Erdogan, afirmou em entrevista televisionada que o presidente turco planeja reviver o Meşihat otomano e o cargo de Şeyhülislam, abolidos em 1924. Segundo ele, Erdogan já ordenou a reconstrução do complexo histórico em Istambul, mas o projeto enfrenta obstáculos burocráticos. As declarações acendem o debate sobre os limites entre restauração patrimonial e reconfiguração do Estado turco em bases islamistas.
O comentarista pró-governo turco Rasim Ozan Kütahyalı foi preso em uma ampla investigação sobre apostas ilegais e lavagem de dinheiro na província de Adana. As autoridades afirmam que ele teria participado de uma rede criminosa que movimentou cerca de 100 bilhões de liras, enquanto o comentarista nega qualquer envolvimento e diz que as transações eram relacionadas a dívidas pessoais.
Pesquisa de opinião de março de 2026 revela que metade dos turcos desconfia do Judiciário, com apenas 36% confiando nos tribunais, em um cenário de ampla erosão da confiança em instituições políticas, mídia e oposição. O levantamento mostra ainda alta confiança nas forças de segurança e reforça a ligação entre crise institucional, questões de justiça e desafios econômicos como inflação e desemprego na Turquia.
Após ataques mortais em escolas de Şanlıurfa e Kahramanmaraş que mataram nove pessoas, o governo Erdogan propõe licenças obrigatórias para VPNs e bloqueio de serviços não conformes, alegando proteção a menores de conteúdo violento online, ampliando a censura em um país com mais de 1 milhão de sites bloqueados.
Um estudo acadêmico recente argumenta que a União Europeia contribuiu indiretamente para o avanço do autoritarismo na Turquia ao priorizar estabilidade regional, controle migratório e segurança em vez de চাপ firme por padrões democráticos. Segundo os autores, especialmente após a crise de refugiados de 2015 e o acordo migratório de 2016, Bruxelas suavizou críticas ao governo de Recep Tayyip Erdoğan, mantendo cooperação estratégica enquanto instituições democráticas turcas se deterioravam. O conceito de “estabilocracia” descreve essa dinâmica, na qual a UE tolera líderes autoritários em troca de previsibilidade política. O estudo também aponta que essa abordagem deu legitimidade internacional ao governo turco e limitou a capacidade futura da UE de reagir à autocratização.
O ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, criticou duramente aliados ocidentais por recusarem pedidos de extradição contra indivíduos ligados ao movimento Hizmet, acusado por Ancara de organizar o golpe fracassado de 2016. Apesar de quase 2.900 solicitações enviadas a 119 países, apenas três resultaram em extradição, refletindo a falta de reconhecimento internacional da classificação do grupo como terrorista. Enquanto a Turquia promete intensificar a perseguição global ao movimento, tribunais europeus e organizações de direitos humanos continuam alertando para violações legais e abusos sistemáticos, incluindo detenções arbitrárias, uso controverso de provas e transferências forçadas de suspeitos.
Cinco relatores especiais da ONU alertam que a Turquia usa leis antiterrorismo para criminalizar defensores de direitos humanos e advogados, pedindo a Ancara que respeite os padrões internacionais de direitos humanos e encerre a perseguição à Associação de Direitos Humanos (İHD).
A Turquia solicitou à Holanda a extradição de 217 pessoas acusadas de ligações ao Movimento Hizmet. O pedido foi feito durante negociações em Ancara entre os ministros da Justiça dos dois países, renovando uma das principais tensões diplomáticas entre Turquia e Europa.
Após a derrubada de três mísseis iranianos no espaço aéreo turco, a OTAN reforça a defesa aérea em İncirlik com uma nova bateria Patriot americana. A base, que já abriga um sistema espanhol desde 2015, torna-se peça central na contenção das ameaças balísticas provenientes do Irã.
No 10.º aniversário do acordo migratório UE-Turquia, organizações de direitos humanos denunciam um legado de sofrimento, erosão do Estado de Direito e a exportação de um modelo de externalização que redefine a política de asilo europeia.
Análise geopolítica da política da Turquia em relação ao Irã: como o governo Erdogan apoia o regime clerical de Teerã e bloqueia influências pró-ocidentais no Oriente Médio, por Abdullah Bozkurt.
O Tesouro dos EUA sancionou três empresas turcas recém-criadas — Utuş, Arya e Altis — por servirem como canais financeiros e logísticos para o programa de drones e mísseis balísticos do Irã. As designações do OFAC, emitidas em fevereiro de 2026, revelam como o IRGC utilizou a infraestrutura comercial da Turquia para contornar sanções internacionais e adquirir maquinário sensível para a Mado, entidade ligada à Organização Jihad de Autossuficiência da Força Aeroespacial iraniana.
Um plano da CIA para armar curdos iranianos contra o Irã coloca Erdoğan numa posição impossível: aceitar a autonomia curda nas fronteiras da Turquia ou confrontar os EUA de Trump, arriscando uma nova crise económica como a de 2018.
Corte federal dos EUA confirma em decisão judicial que Turquia patrocinava a al-Nusra, grupo terrorista ligado à al-Qaeda na Síria. Caso United States v. Wadi registra formalmente apoio estatal do governo Erdogan a grupos jihadistas, documentando coordenação através da inteligência turca (MIT) e intermediários como Kemal Eskintan. Decisão histórica cria precedente legal sobre patrocínio estatal de terrorismo.


