37 estudantes morreram em quase 10 mil acidentes de trabalho no programa de formação profissional da Turquia desde 2025, diz ministro
Turkish Minute
Trinta e sete estudantes morreram em 9.950 acidentes de trabalho registrados desde 2025 no programa de Centros de Educação Profissional (MESEM) da Turquia, segundo novos dados do governo divulgados pelo serviço turco da Deutsche Welle.
O ministro da Educação, Yusuf Tekin, informou os números em resposta a uma pergunta parlamentar apresentada por Ömer Faruk Gergerlioğlu, deputado do Partido da Igualdade e Democracia dos Povos (Partido DEM) e defensor dos direitos humanos.
Os novos números parecem contradizer dados divulgados pelo ministério em junho, quando informou que 3.080 acidentes de trabalho envolvendo estudantes do MESEM haviam sido registrados desde 2016, 13 deles fatais. O Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho (İSİG), entidade independente de monitoramento da segurança laboral, contestou os números na ocasião e afirmou que pelo menos 20 estudantes do MESEM haviam morrido.
Gergerlioğlu apresentou a pergunta parlamentar após a morte de Emirhan Sarısu, de 14 anos, que morreu enquanto trabalhava em uma obra no distrito de Gölcük, na província de Kocaeli, em julho.
O ministério não incluiu Sarısu entre as 37 mortes, afirmando que ele havia concluído o oitavo ano, mas morreu antes de se matricular no ensino secundário e, portanto, não estava inscrito no MESEM quando morreu.
O MESEM é um programa estatal de formação profissional que permite a estudantes de 15 a 18 anos frequentar a escola um dia por semana e trabalhar quatro dias em empresas para treinamento prático. Eles recebem parte do salário mínimo e cobertura de seguro. Os estudantes geralmente trabalham em fábricas, oficinas mecânicas, salões de beleza e canteiros de obras.
Um estudo publicado no início deste ano constatou que quase metade dos estudantes matriculados no MESEM sofreu pelo menos um acidente de trabalho, enquanto mais da metade relatou jornadas superiores a 10 horas por dia.
O ministério afirmou ter inspecionado 253.940 empresas até o fim de 2024 e encerrado os contratos com 23.252 que não cumpriam os requisitos. Também disse que as condições de trabalho, a seguridade social e a segurança e saúde ocupacionais foram inspecionadas pelo Ministério do Trabalho e da Seguridade Social.
Sindicatos e grupos de direitos humanos há muito criticam o programa por expor crianças a condições perigosas de trabalho ao mesmo tempo que fornece mão de obra barata às empresas. Segundo eles, uma fiscalização fraca deixou os estudantes vulneráveis a jornadas longas, acidentes de trabalho e abusos.
Fonte: Stockholm Center for Freedom.



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