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Turquia entre os 10 países com a maior queda nas liberdades, diz Freedom House

Turquia entre os 10 países com a maior queda nas liberdades, diz Freedom House
março 03
01:53 2025

A Turquia está entre os 10 países que tiveram a queda mais acentuada nas liberdades na última década, de acordo com o relatório “Freedom in the World 2025”, publicado pela Freedom House na quarta-feira.

O grupo de vigilância sediado nos EUA constatou que a pontuação da Turquia caiu 22 pontos desde 2014, colocando-a ao lado da Venezuela no sétimo lugar na lista dos países que sofreram o pior retrocesso democrático.

O relatório avalia a liberdade com base em dois pilares principais: direitos políticos e liberdades civis. A Turquia tem sofrido declínios em ambas as áreas, especialmente na independência judicial, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e pluralismo político.

O relatório continua classificando a Turquia como “Não Livre”, designação que mantém desde 2018. Esses achados colocam a Turquia na companhia de Nicarágua, Tunísia, El Salvador e Tanzânia, todos os quais passaram por quedas significativas nas liberdades.

Os resultados surgem em meio a uma tendência global de declínio democrático. O relatório observa que a liberdade em nível mundial deteriorou pelo 19º ano consecutivo, com 60 países experimentando uma redução dos direitos políticos e liberdades civis somente em 2024.

A Turquia permanece inserida nessa trajetória descendente, com restrições à liberdade de imprensa, independência judicial e oposição política, que continuam a gerar preocupações.

O declínio democrático do país acelerou após a tentativa de golpe em 15 de julho de 2016. O presidente Recep Tayyip Erdoğan e seu governo atribuíram o golpe ao movimento religioso Hizmet, inspirado pelo falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, e responderam com uma purga nacional de dissidentes percebidos. Gülen e o movimento negam veementemente qualquer envolvimento na tentativa fracassada ou em atividades terroristas.

Erdoğan vem mirando os seguidores do movimento Hizmet desde que investigações de corrupção, reveladas em 2013, implicaram o então primeiro-ministro Erdoğan, bem como membros de sua família e de seu círculo íntimo.

Descartando as investigações como um golpe do Hizmet e uma conspiração contra seu governo, Erdoğan designou o movimento como uma organização terrorista e passou a perseguir seus seguidores. Ele intensificou a repressão ao movimento após o abortivo putsch de 2016.

Desde a tentativa de golpe, mais de 705.172 pessoas foram investigadas por acusações relacionadas ao terrorismo devido a supostas ligações com o movimento. Há pelo menos 13.251 pessoas presas, mantidas em prisão preventiva ou condenadas por acusações de terrorismo em julgamentos ligados ao Hizmet.

Após o golpe fracassado, o governo turco declarou estado de emergência e realizou uma ampla purga nas instituições estatais sob o pretexto de combater o golpe. Mais de 130.000 funcionários públicos, incluindo 4.156 juízes e promotores, e mais de 24.000 membros das forças armadas foram sumariamente removidos de seus cargos por suposta associação ou vínculos com “organizações terroristas”, através de decretos-emergenciais que não passaram por revisão judicial ou parlamentar.

Desde então, a Turquia tem mantido um estado de repressão intensificada. A oposição política, a mídia e a sociedade civil enfrentam pressões crescentes, o que torna cada vez mais difícil desafiar o governo.

A erosão dos direitos políticos na Turquia foi acompanhada por uma série de casos de alto perfil que exemplificam o aperto do governo sobre as vozes dissidentes. Selahattin Demirtaş, o ex-co-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP) pró-curdo, está preso desde 2016 sob acusações relacionadas ao terrorismo, que organizações de direitos humanos consideram motivadas politicamente. Apesar de repetidas decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos exigindo sua libertação, os tribunais turcos se recusam a cumprir.

Osman Kavala, um importante filantropo e líder da sociedade civil, cumpre prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por seu suposto papel nos protestos do Parque Gezi em 2013 e na tentativa de golpe de 2016, mesmo na ausência de evidências credíveis. Sua detenção prolongada atraiu críticas internacionais, com a União Europeia e o Conselho da Europa instando a Turquia a cumprir os padrões internacionais de direitos humanos.

Ekrem İmamoğlu, o prefeito de oposição de Istambul, foi condenado a mais de dois anos de prisão em 2022 por supostamente insultar funcionários eleitorais. A decisão, amplamente condenada como uma tentativa de afastar um potencial desafiante de Erdoğan, aumentou as preocupações sobre o uso do judiciário pelo governo para suprimir rivais políticos.

A liberdade de imprensa também sofreu, com a Turquia figurando entre os piores encarceradores de jornalistas do mundo. Veículos de mídia independentes foram fechados ou forçados a se submeter ao controle estatal, e jornalistas críticos ao governo enfrentaram prisões, vigilância e intimidações. Amplas leis antiterror têm sido usadas para silenciar a dissidência, tornando cada vez mais arriscado para os repórteres cobrir temas politicamente sensíveis.

O relatório da Freedom House aponta a manipulação eleitoral como uma preocupação global crescente, especialmente em regimes híbridos e autoritários. Embora a Turquia ainda realize eleições multipartidárias, partidos de oposição e observadores internacionais há muito alertam para a falta de justiça eleitoral, viés da mídia estatal e restrições à campanha política.

Em eleições passadas, o governo foi acusado de usar recursos estatais para impulsionar o partido de Erdoğan, manipular o judiciário para desqualificar candidatos da oposição e controlar as narrativas da mídia para limitar o debate público. As eleições locais de 2024 foram acompanhadas de perto por possíveis irregularidades, com críticos alertando que o processo eleitoral continua favorecendo o partido no poder, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

O relatório “Freedom in the World” da Freedom House é uma das avaliações anuais mais abrangentes da democracia global, cobrindo 195 países e 13 territórios. A edição de 2025 avalia os desenvolvimentos ocorridos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2024.

Fonte: Turkey among top 10 countries with sharpest decline in freedoms: Freedom House

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