Voz da Turquia

Notícias

 Últimas Notícias
  • CEDH condena Turquia por violação de direitos em caso ligado ao Hizmet A Grande Câmara da Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) decidiu, na terça-feira, que a Turquia violou os direitos de um homem condenado por participação em organização terrorista devido a supostos vínculos com o movimento Hizmet, revertendo uma decisão anterior de uma câmara de 2024 que havia concluído pela inexistência de violação....
  • Tribunal europeu aponta 432 violações à liberdade de expressão pela Turquia desde 2002 Turquia violou o direito à liberdade de expressão 432 vezes entre 2002 e 2025, de acordo com decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), informou o site de notícias Velev....
  • Grupos de imprensa condenam a “weaponização” da lei de desinformação da Turquia contra jornalistas Vinte e cinco organizações internacionais e locais de liberdade de imprensa condenaram veementemente o uso intensificado da lei de desinformação da Turquia para processar sistematicamente jornalistas, exigindo a revogação da legislação e a libertação imediata de todos os jornalistas detidos com base nela....
  • Carta secreta da inteligência turca visando jornalista na Suécia revela pânico diante da exposição Uma carta secreta enviada pela agência de inteligência da Turquia (Milli İstihbarat Teşkilatı, MIT), reclamando de um artigo investigativo, expôs a profunda preocupação da agência com a divulgação pública de seus vínculos clandestinos com grupos jihadistas na Síria....
  • Parlamentares da Europa pedem sanções contra juízes e promotores turcos por caso Kavala Parlamentares de países membros do Conselho da Europa propuseram sanções direcionadas contra juízes e promotores turcos por conta do descumprimento de decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos no caso do filantropo Osman Kavala. A moção, assinada por 28 deputados de diferentes países europeus, pede o uso de medidas do tipo Magnitsky – como proibição de viagens e congelamento de ativos – contra autoridades envolvidas na manutenção de Kavala preso, mesmo após julgamentos de Estrasburgo condenarem sua detenção como violação de direitos humanos. O texto também aponta problemas sistêmicos no judiciário turco, citando milhares de casos semelhantes ligados à repressão pós‑golpe de 2016 e à perseguição de supostos seguidores do movimento Hizmet....
  • Metade dos turcos desconfia do Judiciário, com a confiança caindo para 36%, diz pesquisa Pesquisa de opinião de março de 2026 revela que metade dos turcos desconfia do Judiciário, com apenas 36% confiando nos tribunais, em um cenário de ampla erosão da confiança em instituições políticas, mídia e oposição. O levantamento mostra ainda alta confiança nas forças de segurança e reforça a ligação entre crise institucional, questões de justiça e desafios econômicos como inflação e desemprego na Turquia....
  • Governo Erdogan usa ataques sangrentos em escolas para justificar repressão a VPNs e censura na Internet na Turquia em 2026 Após ataques mortais em escolas de Şanlıurfa e Kahramanmaraş que mataram nove pessoas, o governo Erdogan propõe licenças obrigatórias para VPNs e bloqueio de serviços não conformes, alegando proteção a menores de conteúdo violento online, ampliando a censura em um país com mais de 1 milhão de sites bloqueados....
  • Turquia julga 168 ativistas por protesto contra violência contra mulheres em Istambul Um tribunal de Istambul aceitou a denúncia contra 168 ativistas — majoritariamente mulheres — que participaram de um protesto em 25 de novembro de 2024, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e agora enfrentam penas de até seis anos de prisão. A manifestação, impedida pela polícia com uso de força e gás de pimenta, terminou em detenções em massa após tentativas frustradas de leitura de um comunicado público. O caso ocorre em meio a crescentes preocupações sobre o aumento de feminicídios na Turquia, repressão a protestos e o enfraquecimento de proteções legais, agravado pela saída do país da Convenção de Istambul em 2021....
  • UE priorizou estabilidade e ajudou a legitimar autoritarismo de Erdoğan, aponta estudo Um estudo acadêmico recente argumenta que a União Europeia contribuiu indiretamente para o avanço do autoritarismo na Turquia ao priorizar estabilidade regional, controle migratório e segurança em vez de চাপ firme por padrões democráticos. Segundo os autores, especialmente após a crise de refugiados de 2015 e o acordo migratório de 2016, Bruxelas suavizou críticas ao governo de Recep Tayyip Erdoğan, mantendo cooperação estratégica enquanto instituições democráticas turcas se deterioravam. O conceito de “estabilocracia” descreve essa dinâmica, na qual a UE tolera líderes autoritários em troca de previsibilidade política. O estudo também aponta que essa abordagem deu legitimidade internacional ao governo turco e limitou a capacidade futura da UE de reagir à autocratização....
  • Turquia acusa Ocidente de proteger suspeitos do Hizmet após rejeições massivas de extradição O ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, criticou duramente aliados ocidentais por recusarem pedidos de extradição contra indivíduos ligados ao movimento Hizmet, acusado por Ancara de organizar o golpe fracassado de 2016. Apesar de quase 2.900 solicitações enviadas a 119 países, apenas três resultaram em extradição, refletindo a falta de reconhecimento internacional da classificação do grupo como terrorista. Enquanto a Turquia promete intensificar a perseguição global ao movimento, tribunais europeus e organizações de direitos humanos continuam alertando para violações legais e abusos sistemáticos, incluindo detenções arbitrárias, uso controverso de provas e transferências forçadas de suspeitos....
  • Turquia reforça a segurança nas escolas após tiroteios fatais A Turquia reforçou a segurança nas escolas em todo o país após tiroteios fatais nas províncias do sudeste de Kahramanmaraş e Şanlıurfa na semana passada, informou a agência de notícias estatal Anadolu....
  • Sanções dos EUA visam empresa sediada na Turquia por remessas ligadas ao programa de mísseis do Irã Os Estados Unidos impuseram sanções na terça-feira a uma rede que inclui uma empresa com sede na Turquia, acusada de fornecer materiais usados no programa de mísseis balísticos do Irã, como parte de medidas mais amplas que visam 14 indivíduos, entidades e aeronaves ligados aos esforços de aquisição de armamentos de Teerã....
  • Onda de comoção na Turquia durante o sepultamento de vítimas de tiroteio em escola Multidões se reuniram para os funerais de oito crianças e um professor no sul da Turquia nesta quinta-feira, mortos quando um jovem de 14 anos abriu fogo em uma escola — um crime que mergulhou o país em choque e a comunidade em luto, informou a Agence France-Presse....
  • Turquia diz que moveu 3 navios pelo Estreito de Ormuz e busca saída para mais 8 A Turquia garantiu a saída de três navios de propriedade turca do Estreito de Ormuz e está trabalhando com o Ministério das Relações Exteriores para retirar mais oito da hidrovia, disse o Ministro dos Transportes e Infraestrutura, Abdulkadir Uraloğlu, na quarta-feira....
  • Pelo menos 17 detidos e 3 presos por ameaças online de ataques a escolas na Turquia após tiroteio mortal As autoridades turcas detiveram pelo menos 17 pessoas em várias províncias e prenderam diversos suspeitos por ameaças online de ataques a escolas e por postagens que enalteciam a violência, após o primeiro tiroteio fatal em uma escola na Turquia, que deixou 10 mortos na província de Kahramanmaraş, no sul do país....
  • Turquia busca extradição de 49 pessoas da Suécia por ligações com o movimento Hizmet A Turquia está buscando a extradição de 49 pessoas da Suécia por ligações com o movimento Hizmet, de base religiosa, segundo números recém-divulgados, enquanto Ancara intensifica a pressão sobre aliados, apesar de poucos retornos bem-sucedidos ao longo da última década, informou o site de jornalismo de longa duração Blankspot, sediado na Suécia....
  • Turquia prende 42 pessoas por distribuir ajuda no Ramadã a famílias do Movimento Hizmet   A polícia turca deteve na quinta-feira 42 pessoas, a maioria mulheres, acusadas de prestar assistência financeira durante o Ramadã a famílias de indivíduos presos ou demitidos de seus empregos por suposta ligação com o Movimento Hizmet, conforme relatou o Centro de Liberdade de Estocolmo....
  • Ex-presidente do Supremo e ex-ministro do AKP criticam Judiciário e sistema presidencial como “desastre” O ex-presidente do Tribunal Constitucional Haşim Kılıç e o ex-ministro do AKP Hüseyin Çelik criticam o sistema presidencial turco como um "desastre" e alertam para a erosão dos direitos fundamentais e a crise no Judiciário do país....
  • Relatores especiais da ONU exortam Turquia a parar de criminalizar defensores de direitos humanos sob acusações de terrorismo Cinco relatores especiais da ONU alertam que a Turquia usa leis antiterrorismo para criminalizar defensores de direitos humanos e advogados, pedindo a Ancara que respeite os padrões internacionais de direitos humanos e encerre a perseguição à Associação de Direitos Humanos (İHD)....
  • Turquia Exige 217 Extradições da Holanda por Ligações ao Movimento Hizmet A Turquia solicitou à Holanda a extradição de 217 pessoas acusadas de ligações ao Movimento Hizmet. O pedido foi feito durante negociações em Ancara entre os ministros da Justiça dos dois países, renovando uma das principais tensões diplomáticas entre Turquia e Europa....

A posição de Gülen sobre democracia, direitos humanos e minorias

A posição de Gülen sobre democracia, direitos humanos e minorias
março 21
12:47 2016

Democracia

Fethullah Gülen reconhece a democracia como único sistema político viável. Ele condena o uso de religião como ideologia política ao mesmo tempo em que encoraja a todos os cidadãos a assumirem uma posição responsável e consciente na vida política de seus países. Gülen enfatiza a flexibilidade dos princípios islâmicos sobre governança e a compatibilidade deles com a verdadeira democracia [1].

Em entrevista a Zeki Saritoprak, Fethullah Gülen expressou suas opiniões sobre democracia [2]:
Saritoprak: É possível reconciliar Islã com Democracia? O que o senhor acha da falta de democracia em muitos países muçulmanos? O senhor vê esta falta de democracia como um déficit para as nações muçulmanas?

Gülen: Com relação ao Islã e democracia, é necessário lembrar que o primeiro é uma religião divina e celestial, enquanto o segundo é uma forma de governo desenvolvido por humanos. O propósito da religião é fé (iman), servidão a Deus (‘ubudiyyah), conhecimento de Deus (ma’rifah), e boas ações (ihsan). O Alcorão, em suas centenas de versos, convida as pessoas à fé e adoração ao Verdadeiro (al-Haqq). Ele também chama as pessoas a servirem a Deus de uma maneira que possam obter maior consciência de ihsan. “Acreditar em boas ações” está entre os assuntos que o Alcorão enfatiza. Ele também lembra às pessoas de que elas devem desenvolver uma relação consciente com Deus e devem agir como se pudessem ver a Deus ou como se Deus as visse.

A democracia em si não é um sistema governamental unificado; raras vezes ela é apresentada sem afiliação. Em muitos casos, outros termos – por exemplo, social, liberal, cristã ou radical – são adicionados como prefixo. Em alguns casos, uma delas não considera as outras como democracia. No entanto, nos dias de hoje, democracia é, frequentemente, mencionada em sua forma independente, ignorando sua natureza pluralística. Em contrapartida, muitos falam da religião como equivalente à política. Na verdade, esta é apenas uma das muitas faculdades da religião. Tal percepção resulta numa série de opiniões sobre a questão da reconciliação entre Islã e democracia. Apesar de esses termos não serem vistos como opostos, é evidente que são diferentes.

De acordo com um dos conceitos existentes, o Islã é tanto uma religião quanto um sistema político. Ele se expressa em todos os aspectos da vida, incluindo as esferas individual, familiar, social, econômica e política. Por esse ângulo, confinar o Islã apenas à fé e oração significaria estreitar seu campo de interação e interpretação. Muitas ideias foram desenvolvidas a partir dessa perspectiva e, recentemente, elas fizeram com que o Islã fosse visto como uma ideologia. Segundo alguns críticos, tal abordagem fez do Islã apenas mais uma entre muitas ideologias políticas. Essa visão do Islã como ideologia totalitária vai contra o espírito o Islã, que promove o Estado de Direito e rejeita abertamente a opressão contra qualquer segmento da sociedade. O espírito do Islã também promove ações para melhoria da sociedade de acordo com a opinião da maioria. Aqueles que seguem uma linha mais moderada acreditam, ainda, que seria melhor introduzir o Islã como complemento à democracia em vez de apresenta-lo como ideologia. Tal introdução do Islã pode ter um papel importante no mundo muçulmano e no enriquecimento das democracias locais existentes, de forma que ajude os humanos a desenvolverem sua compreensão e a relacionarem os mundos espiritual e material.

Acredito que o Islã também enriqueceria a democracia por responder a necessidades humanas profundas, por exemplo, satisfação espiritual, que não pode ser alcançada exceto pela adoração ao Senhor Eterno.

Sim, é doloroso ver, no mundo islâmico – especialmente em meu país, a Turquia -, aqueles que falam sobre o Islã e democracia, e que alegam falar em nome da religião, chegarem à conclusão de que Islã e democracia não podem ser reconciliados. Essa percepção de incompatibilidade mútua também se estende a algumas pessoas pró-democracia. O argumento apresentado é baseado na ideia de que a religião islâmica é baseada nas leis de Deus, enquanto a democracia é baseada na percepção de humanos que se opõem àquelas. No meu entender, no entanto, há outra ideia que se torna vítima de tal comparação superficial entre Islã e democracia. A frase “soberania pertence incondicionalmente à nação” não significa que a soberania foi tirada de Deus e dada a humanos. Ao contrário, significa que a soberania foi confiada aos humanos por Deus, ou seja, ela foi tirada de indivíduos opressores e ditadores e dada aos membros da comunidade. De certa forma, os Califas Bem-Orientados do Islã ilustram a aplicação desse tipo de democracia. Cosmologicamente, não há dúvida de que Deus é soberano sobre tudo no universo. Nossos pensamentos e planos estão sempre sobre o controle e poder do Onipotente. Contudo, isso não significa que não temos vontade, inclinação ou escolha. Humanos são livres para fazer escolhas em suas vidas pessoais. Eles também são livres para fazer escolhas sobre suas ações sociais e políticas. Podem haver tipos diferentes de eleições para escolha de legisladores e governantes. Não existe uma maneira única de eleição; isso foi verdade até na Era da Bem-Aventurança, os tempos do Profeta do Islã, e durante o período dos Quatro Califas, que Deus se agrade deles. A eleição do primeiro califa, Abu Bakr, foi diferente da do segundo, Califa Omar. A eleição de Otman foi diferente da eleição de Ali, o quarto califa. Somente Deus sabe qual é o método correto de eleição.

Além do mais, democracia não é uma forma imutável de governo. Ao olharmos a história do desenvolvimento da democracia vemos erros seguidos de mudanças e correções. Devido a essas mudanças, alguns veem esse sistema com hesitação. Talvez essa seja a razão pela qual o mundo muçulmano não vê a democracia com entusiasmo. Além da falta de entusiasmo, a violência de governantes despóticos, que veem a democracia como ameaça ao despotismo, é outro obstáculo para democracia em nações muçulmanas.

Direitos Humanos

Direitos humanos são tema recorrente na filosofia de Fethullah Gülen. Além disso, a visão de Gülen sobre democracia, pluralismo, direitos humanos e liberdade de religião promove os valores e normas dos direitos humanos.

Gülen vê os direitos humanos a partir de três perspectivas: (i) o valor inerente da liberdade com relação à liberdade de escolha e força de vontade; (ii) o valor eventual da liberdade com relação ao desenvolvimento pessoal e social; (iii) direitos humanos metafísicos (kul hakki, em turco).

Gülen vê os humanos como centro do universo. Para ele, humanos são o propósito da Criação. Seguindo o conceito islâmico tesawuf (grosseiramente traduzido como “significado e espírito do Islã”) de “toda beleza e justiça deve ver e ser vista”, Gülen afirma que Deus é Belíssimo e Justíssimo e que Ele deseja ver a Sua beleza e que ela seja vista. Por essa razão, Deus criou os humanos. Humanos têm faculdades intelectuais, emocionais e físicas para observar, questionar, entender, admirar, adorar e amar a Deus. Assim, humanos foram criados seres inteligentes e conscientes que podem ir da Criação ao Criador, se maravilhar com a beleza e majestade da arte divina e alcançar certa estimativa e compreensão dos atributos, nomes e qualidades de Deus. Gülen argumenta que toda criação manifesta os nomes e atributos infinitos de Deus e que humanos são “espelhos inteligentes” que podem ver o que a Criação manifesta e apreciar seu Criador.

Contudo, há um “botão mágico” nos humanos que faz tudo isso acontecer e os diferencia dos anjos, que também se maravilham, adoram e amam a Deus: a escolha. A “escolha” é o que faz humanos serem humanos. O fato de que o homem escolhe reconhecer e adorar a Deus muda tudo. Gülen explica que com essa escolha, humanos podem superar os anjos em compaixão ou ser piores que os demônios em barbárie. Deus quer que os humanos O “escolham”. Dessa forma, a escolha foi concedida aos humanos como presente e, simultaneamente, como um teste de Deus.

Uma vez que o assunto é abordado a partir desta perspectiva – ver a liberdade de escolha como atributo concedido aos humanos por Deus – o direito do indivíduo à própria humanidade se torna intrínseco, inerente e inalienável.

Ser livre e aproveitar a liberdade são parte significativa da profundidade da vontade humana e uma porta misteriosa através da qual o homem pode ir além nos segredos do eu. O indivíduo que é incapaz de mergulhar naquela profundidade ou de cruzar aquela porta dificilmente pode ser chamado humano.

Em suma, o universo foi criado para os humanos; o humano é definido por sua capacidade de escolha. A escolha é protegida pela liberdade. A liberdade, portanto, permite que humanos cumpram o propósito da Criação. Assim, para Gülen, direitos humanos que protegem a liberdade de escolha têm um valor inerente e devem ser protegidos a todo custo para preservar o equilíbrio entre Criação e o propósito da existência.

Apesar de essa não ser uma ideia nova e muitos eruditos islâmicos compartilharem a mesma opinião, o fato de que Gülen tenta fazer a conexão lógica entre a definição religiosa de “escolha” e a doutrina não religiosa de “normas e práticas de direitos humanos” é muito importante [3].

Minorias

A abordagem de Fethullah Gülen com relação a minorias e direitos de minorias pode ser compreendido na estrutura geral de democracia e direitos democráticos. Além disso, os esforços de Gülen por diálogo interreligioso e tolerância na Turquia também melhoraram a abordagem geral com relação a minorias daquele país. Apesar de a Turquia ser um país laico, o status das minorias é determinado de acordo com afiliação religiosa. O conceito de “minorias” aceito pela República da Turquia foi definido pelo Tratado de Lausanne de 1924, e, assim, limitado estritamente a gregos, judeus e armênios, apenas em assuntos religiosos. Desde então, gregos ortodoxos, armênios gregorianos e judeus são considerados grupos minoritários na Turquia.

Os esforços de Gülen no diálogo interreligioso começou com encontros entre ele e líderes daquelas religiões na Turquia e depois se expandiram a outros países. Gülen provou por meio de sua filosofia, declarações e ações que o Islã é uma religião de paz, mesmo que seja quase sempre associada, no ocidente, a fundamentalismo, extremismo e violência por causa de radicais no mundo islâmico. Gülen é famoso por ter estabelecido laços com o falecido Papa João Paulo II, o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, o Patriarca Armênio Mesrob II Mutafyan e diversos representantes de outras religiões [4].

As ações de Fethullah Gülen foram bem recebidas, também, por líderes de minorias na Turquia. Numa seção de oração, o Vigário da Igreja Católica Apostólica Romana em Istambul, Monsenhor Georges Marovitch, agradeceu a Gülen por seus esforços pioneiros em promover a paz na Turquia e pelo processo de diálogo. Marovitch disse: “Hocaefendi é como um modelo de Mevlana dos nossos tempos. Ele convida a todos, sem discriminar ninguém. Sua porta está aberta a todos e nós respondemos ao seu chamado.”

O proeminente empresário judeu Ishak Alaton disse: “Conferências foram realizadas no Centro de Esportes e Exibições Istambul. A sala estava completamente cheia. Cera de 3 ou 4 mil pessoas compareceram. Gülen entraria na sala acompanhado pelo Rabi da comunidade judia à sua esquerda e o Patriarca Ortodoxo Grego Bartolomeu, ou o Patriarca Mesrob II [Mutafyan] à sua direita. Eles se apresentariam como praticantes de três diferentes religiões. A audiência os aplaudiria entusiasmadamente. As pessoas aplaudiram a amizade, irmandade e aproximação interreligiosa. Esse foi, em grande parte, resultado do trabalho de Fethullah Gülen e a sociedade lhe deu total apoio. Isso foi o que eu vivi. Eu compareci àquelas reuniões e concluí que elas são de vital importância [5]”.

No jantar iftar da Fundação de Jornalistas e Escritores em 2003, o Patriarca Armênio Mesrob II Mutafyan disse, “Pouco tempo atrás, até mesmo pessoas da mesma religião não se sentariam em volta da mesma mesa, mas agora pessoas de grupos religiosos diferentes estão se reunindo. Isso é muito importante para Turquia. Foi Fethullah Gülen e a fundação que ele, honorariamente, preside que uniram pessoas de fés distintas, pela primeira vez, em torno da mesma mesa e agora estamos caminhando pelo caminho que ele preparou”.

O Metropolitano Sírio, Mor Filksinos Yusuf Cetin também declarou que a contribuição de Gülen e seus amigos para as religiões abraâmicas e para a humanidade é muito importante. Disse: “Ninguém se atreveria a convidar cristãos e judeus para jantares iftar, mas agora ninguém pode nos separar”.

Todos essas declarações de líderes de grupos religiosos minoritários na Turquia ressaltam a importância do trabalho que Fethullah Gülen iniciou. Dado que Gülen é um erudito muçulmano respeitado na Turquia, suas ações são muito importantes nesse sentido.

Notas de Rodapé
[1] Cetin, Muhammed. 2010. Introducing Fethullah Gülen. Fethullah Gülen Forum (Introdução a Fethullah Gülen – Fórum Fethullah Gülen): http://fethullahgulenforum.org/articles/18/introducing-fethullah-gulen
[2]The Muslim World, Special Issue (O Mundo Muçulmano – Edição Especial), Julho 2005 – Vol. 95 Edição 3 Páginas 325-471
[3] Keles, O. Promoting Human Rights Values in the Muslim World: Towards an Inclusive Civilization in Gülen’s Thought and Practice (Promovendo Valores de Direitos Humanos no Mundo Muçulmano – Para a uma Civilização Inclusiva; a Filosofia e Práticas de Gülen): http://en.fgulen.com/conference-papers/peaceful-coexistence/2508-promoting-human-rights-values-in-the-muslim-world-towards-an-inclusive-civilization-in-gulens-thought-and-practice
[4] Kenes, Bulent. 2008. Gülen’s ideas address the entire world (As ideias de Gülen englobam o mundo todo). The Guardian: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jun/24/turkey.islam
{5] Dumanli, Ekrem. 2009. İshak Alaton: Ergenekon case a milestone for Turkey (Caso Ergenekon; um marco histórico para Turquia). Today’s Zaman: http://www.todayszaman.com/newsDetail_getNewsById.action?load=detay&link=176178

Publicado em HizmeteSorulanlar.org

Fonte: http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br

Related Articles

Mailer