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  • Tribunal europeu aponta 432 violações à liberdade de expressão pela Turquia desde 2002 Turquia violou o direito à liberdade de expressão 432 vezes entre 2002 e 2025, de acordo com decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), informou o site de notícias Velev....
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  • Parlamentares da Europa pedem sanções contra juízes e promotores turcos por caso Kavala Parlamentares de países membros do Conselho da Europa propuseram sanções direcionadas contra juízes e promotores turcos por conta do descumprimento de decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos no caso do filantropo Osman Kavala. A moção, assinada por 28 deputados de diferentes países europeus, pede o uso de medidas do tipo Magnitsky – como proibição de viagens e congelamento de ativos – contra autoridades envolvidas na manutenção de Kavala preso, mesmo após julgamentos de Estrasburgo condenarem sua detenção como violação de direitos humanos. O texto também aponta problemas sistêmicos no judiciário turco, citando milhares de casos semelhantes ligados à repressão pós‑golpe de 2016 e à perseguição de supostos seguidores do movimento Hizmet....
  • Metade dos turcos desconfia do Judiciário, com a confiança caindo para 36%, diz pesquisa Pesquisa de opinião de março de 2026 revela que metade dos turcos desconfia do Judiciário, com apenas 36% confiando nos tribunais, em um cenário de ampla erosão da confiança em instituições políticas, mídia e oposição. O levantamento mostra ainda alta confiança nas forças de segurança e reforça a ligação entre crise institucional, questões de justiça e desafios econômicos como inflação e desemprego na Turquia....
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  • Turquia julga 168 ativistas por protesto contra violência contra mulheres em Istambul Um tribunal de Istambul aceitou a denúncia contra 168 ativistas — majoritariamente mulheres — que participaram de um protesto em 25 de novembro de 2024, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e agora enfrentam penas de até seis anos de prisão. A manifestação, impedida pela polícia com uso de força e gás de pimenta, terminou em detenções em massa após tentativas frustradas de leitura de um comunicado público. O caso ocorre em meio a crescentes preocupações sobre o aumento de feminicídios na Turquia, repressão a protestos e o enfraquecimento de proteções legais, agravado pela saída do país da Convenção de Istambul em 2021....
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  • Turquia acusa Ocidente de proteger suspeitos do Hizmet após rejeições massivas de extradição O ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, criticou duramente aliados ocidentais por recusarem pedidos de extradição contra indivíduos ligados ao movimento Hizmet, acusado por Ancara de organizar o golpe fracassado de 2016. Apesar de quase 2.900 solicitações enviadas a 119 países, apenas três resultaram em extradição, refletindo a falta de reconhecimento internacional da classificação do grupo como terrorista. Enquanto a Turquia promete intensificar a perseguição global ao movimento, tribunais europeus e organizações de direitos humanos continuam alertando para violações legais e abusos sistemáticos, incluindo detenções arbitrárias, uso controverso de provas e transferências forçadas de suspeitos....
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  • Pelo menos 17 detidos e 3 presos por ameaças online de ataques a escolas na Turquia após tiroteio mortal As autoridades turcas detiveram pelo menos 17 pessoas em várias províncias e prenderam diversos suspeitos por ameaças online de ataques a escolas e por postagens que enalteciam a violência, após o primeiro tiroteio fatal em uma escola na Turquia, que deixou 10 mortos na província de Kahramanmaraş, no sul do país....
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A Evolução do Movimento Gülen

A Evolução do Movimento Gülen
março 21
14:35 2016

Acadêmicos que estudam movimentos sociais concordam que os elementos que compõem um movimento devem ser “encubados” por um tempo antes dele surgir em público como movimento social reconhecível. Por causa de sua pregação e mensagens gravadas, as ideias e inspiração do Sr. Gülen começaram a obter reconhecimento na Turquia no início da década de 1980. Cada vez mais pessoas passaram a se juntar aos sohbets inspirados por Gülen – círculos locais de pessoas que se encontravam regularmente para discutir as ideias dele – para iniciar os dormitórios e cursos preparatórios sugeridos por ele, financiar esses e outros projetos sociais e estabelecer uma rede de relações comunitárias informais entre cidadãos com ideais semelhantes. Essas redes de indivíduos, incluindo empresários com recursos financeiros para apoiar os projetos sociais, começaram a se formar lentamente em vilas e cidades onde o Sr. Gülen pregava.

No início da década de 1980, empresários e educadores inspirados pelo Sr. Gülen responderam à crise da educação na Turquia ao fundarem instituições como dormitórios para estudantes, cursos pré-vestibular, associações de professores, editoras e um jornal. Em meados dos anos 80, havia recursos suficientes, incluindo redes informais de pessoas motivadas e contribuições financeiras substanciais, para acelerar os projetos sociais que já existiam e iniciar a construção de escolas e hospitais na Turquia. A partir de então, a mídia tomou conhecimento do Movimento e reportagens jornalísticas sobre ele e suas várias atividades se tornaram conhecimento público. É nesse ponto que a fase “latente” das atividades da rede dão lugar a uma fase mais visível e “desenvolvida” e os membros começam a esboçar a ideia de um movimento social. O público, por sua vez, começou a usar termos como “escolas Gülen” e “seguidores de Gülen”. O Sr. Gülen, no entanto, nunca se refere ao Movimento como Movimento Gülen ou Comunidade Gülen, nem aceita tais nomes. Em vez disso, ele prefere que o Movimento seja chamado de “servidores voluntários” ou Hizmet, que significa “servir aos outros” ou o movimento de humanos unidos em torno de valores humanos elevados.

Na metade da década de 80, as escolas inspiradas por Gülen eram reconhecidas em toda Turquia por prover educação de qualidade aos jovens. Estudantes dessas escolas passavam nos vestibulares nacionais a índices muito mais altos que o restante da população jovem, mesmo alunos de outros cursos preparatórios. Além disso, muitos alunos do ensino médio nas escolas dirigidas pelo Movimento Gülen ganharam competições nacionais e internacionais de ciências. As Escolas Gülen e o Movimento Gülen, então, começaram obter maior reconhecimento público e a atrair mais e mais participantes que viram valor nas ideias expressas pelo Movimento. Desde então, com o sucesso das escolas, as atividades motivadas pelo Sr. Gülen sobre educação e serviços não políticos começaram a se intercalar no que veio a ser conhecido como Movimento Gülen.

O colapso da União Soviética em 1991 e a independência das repúblicas turcas na Ásia Central prepararam o contexto no qual o Movimento Gülen se tornou transacional. Em seus sermões do fim da década de 1980, o Sr. Gülen começou a aconselhar sua audiência a se preparar para ajudar aqueles países que, em breve, conquistariam sua independência, a maioria deles era de origem e língua turca. Em 1992, logo após o colapso da União Soviética, um grupo de empresários e professores inspirados por Gülen abriram a primeira escola no Azerbaijão. No mesmo ano, a primeira escola inspirada por Gülen foi aberta no Cazaquistão e, nos dois anos seguintes, mais 28 escolas foram abertas naquele país. Entre 1992 e 1994, participantes do Movimento abriram escolas no Quirguistão, onde hoje há 12 escolas de ensino médio e uma universidade. Ao mesmo tempo, 20 escolas foram fundadas no Turcomenistão.

Enquanto alguns participantes do movimento estavam ocupados abrindo escolas nas repúblicas turcas, outros abriam escolas semelhantes em países não muçulmanos na Europa Oriental e antiga União Soviética, como Bulgária, Romênia, Moldova, Ucrânia e Geórgia. Outros voluntários estabeleceram escolas em países do Pacífico Asiático como Filipinas, Camboja, Austrália, Indonésia, Tailândia, Vietnã, Malásia, Coréia do Sul e Japão. Um avanço fantástico do Movimento Gülen é que ele está ativo não apenas em países de herança turca e muçulmana, mas também aqueles de tradição cristã, budista e hindu. Kalyoncu argumenta que uma das razões para isso é o fato de que o Movimento começou utilizando um discurso islâmico na Turquia, mas após certo tempo passou a enfatizar elementos laicos e humanísticos em seu discurso, como qualidade de educação, aceitação empática dos outros e valores éticos universais. Ele conclui que apesar de o Movimento ter se mantido islâmico no nível individual, no todo, ele é um movimento social laico.

Durante os anos 80, membros da nova burguesia da Anatólia inspirados pelos ensinamentos do Sr. Gülen começaram a investir na fundação de instituições de ensino em toda Turquia. Nos anos 90, o desenvolvimento político e econômico da Turquia – sob as políticas do Presidente Ozal, assim como eventos políticos no mundo todo – permitiu a criação de mais e mais rotas globais para expansão de negócios. A queda da União Soviética e o despertar do controle do Estado turco sobre informação e fluxo de capital aumentaram a migração de turcos para a Europa e acontecimentos globais contribuíram para a transformação do Movimento Gülen de uma pequena comunidade na Turquia em um movimento ativista internacional apoiado por uma crescente classe de empresários abastados comprometidos com os ideais do Movimento Gülen.

Não há dúvidas de que, já na década de 1990, os milhões de cidadãos que se uniam em torno das ideias de Fethullah Gülen e as centenas de projetos sociais apoiados por eles constituíam um movimento social. Ele forma o maior movimento baseado em religião na Turquia. O que é surpreendente, contudo, é o fato de que o Movimento, enraizado em uma identidade turco-islâmica, foi e continua a ser tão ativo em países não muçulmanos quanto em países muçulmanos. A explicação reside, provavelmente, no fato de a infraestrutura do Movimento – em termos de liderança organizacional, voluntários, doadores e a inspiração por trás do Movimento – ser transportada pela diáspora turca estabelecida em países de todo o mundo como estudantes, profissionais e empresários. Alguns deles imigraram, deliberadamente, para estabelecer instituições inspiradas por Gülen em outros países; outros imigraram por razões educacionais e/ou comerciais e continuaram envolvidos no Movimento e seus projetos sociais quando se estabelecem em um novo país. Conforme o Movimento, apoiadores e participantes se estabelecem em todo o mundo e estabelecem projetos relacionados a Gülen em qualquer lugar que estejam, povos não turcos aprendem sobre o Movimento e se envolvem de várias formas. O resultado é que o Movimento Gülen é agora global em seu alcance e impacto.

Resumido de “Ebaugh, Helen R. 2010. The Gulen Movement A Sociological Analysis of a Civic Movement Rooted in Moderate Islam. New York: Springer” (O Movimento Gülen – Uma Análise sociológica de um Movimento Civil Enraizado no Islã Moderado).

Helen Rose Ebaugh

Publicado em gulenmovement.us, 10 de maio de 2014.

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