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Advogado detido em Moçambique após pedido de extradição da Turquia é libertado enquanto aguarda julgamento

Advogado detido em Moçambique após pedido de extradição da Turquia é libertado enquanto aguarda julgamento
janeiro 12
15:52 2026

Por
Turkish Minute
6 de janeiro de 2026

Emre Çınar, advogado turco que representa a Willow International School em Moçambique e que havia sido detido após um pedido de extradição apresentado por autoridades turcas, foi libertado enquanto aguarda julgamento por decisão de um tribunal moçambicano na segunda-feira, informou o Stockholm Center for Freedom.

Çınar, de 30 anos, havia sido detido em 30 de dezembro após um pedido de extradição da Turquia por supostos vínculos com o movimento religioso Hizmet. Restrições ao seu acesso a advogado e familiares, assim como a falta de atualizações sobre seu paradeiro após a detenção, levantaram preocupações sobre uma possível extradição.

Organizações de direitos humanos alertaram que Çınar poderia enfrentar perseguição caso seja extraditado e que o risco de extradição permanece. Elas afirmaram que continuarão monitorando o caso de perto. Um advogado moçambicano de destaque observou que a detenção foi ilegal, citando a inexistência de um acordo de extradição entre Moçambique e a Turquia. Outro advogado acrescentou que, se as acusações da Turquia forem comprovadamente motivadas por razões políticas, o tribunal tem o direito de rejeitar o pedido de extradição.

Çınar, que deixou a Turquia em meio a pressão política, vive em Maputo desde 2017.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, vem perseguindo participantes do movimento Hizmet, inspirado no falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção, em dezembro de 2013, o implicaram, assim como alguns membros de sua família e de seu círculo próximo.

Ao classificar as investigações como um golpe do Hizmet e uma conspiração contra seu governo, Erdoğan passou a mirar os integrantes do movimento. Ele designou o movimento como organização terrorista em maio de 2016 e intensificou a repressão após uma tentativa de golpe em julho do mesmo ano, que ele atribuiu a Gülen como mentor. O movimento nega veementemente qualquer envolvimento na tentativa de golpe ou em qualquer atividade terrorista.

Pelo princípio jurídico internacional do non-refoulement (não devolução), solicitantes de asilo e refugiados devem ser protegidos contra remoção para um país onde sua vida ou liberdade estariam ameaçadas. O princípio é um pilar da proteção a refugiados, consagrado na Convenção das Nações Unidas sobre Refugiados de 1951.

Desde a tentativa de golpe, o “braço longo” de Erdoğan alcançou dezenas de milhares de cidadãos turcos no exterior. De vigilância por meio de missões diplomáticas e organizações da diáspora pró-governo à negativa de serviços consulares, além de intimidação explícita e “renditions” ilegais (entregas forçadas), o governo turco empregou uma ampla variedade de táticas contra críticos fora do país. A campanha tem se apoiado sobretudo em “renditions”, em que a Turquia e sua Organização Nacional de Inteligência (MİT) persuadem outros Estados a entregar indivíduos sem devido processo legal. Vítimas dessas operações relataram diversas violações de direitos humanos, incluindo prisão arbitrária, tortura e maus-tratos. A MİT reconheceu ter conduzido operações para o retorno forçado de mais de 100 pessoas acusadas de vínculos com o movimento Hizmet.

Fonte: Lawyer detained in Mozambique over Turkey’s extradition request released pending trial – Turkish Minute

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