Turquia se junta ao Egito e Paquistão na mediação da crise entre EUA e Irã enquanto Trump adia ataques, diz reportagem
Autor: Turkish Minute | 23 de março de 2026
A Turquia se juntou ao Egito e ao Paquistão como mediadora entre os Estados Unidos e o Irã em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz, enquanto o presidente Donald Trump adiou ataques militares planejados contra o Irã, segundo reportagem do Axios.
Os esforços de mediação ocorrem no momento em que Washington e Teerã parecem recuar da beira de uma nova escalada. Trump afirmou na segunda-feira ter ordenado uma pausa de cinco dias em possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana, citando o que descreveu como avanços nas discussões para reabertura da estratégica via marítima.
A decisão veio após um ultimato dado no fim de semana, em que Trump advertiu que os Estados Unidos lançariam ataques em até 48 horas caso o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz, rota de trânsito crucial para o petróleo global.
🚨Turkey, Egypt, and Pakistan have been passing messages between the U.S. and Iran over the past two days in an effort to de-escalate, U.S. source says
🚨Senior officials from the three countries held separate talks with White House envoy Steve Witkoff and Iranian Foreign… https://t.co/4ZEFMt1ruq— Barak Ravid (@BarakRavid) March 23, 2026
O Irã respondeu com ameaças de atacar a infraestrutura elétrica de Israel e dos países do Golfo, elevando o temor de um conflito regional mais amplo.
Nesse contexto, a Turquia emergiu como intermediária diplomática ativa. Uma fonte americana disse ao Axios que Turquia, Egito e Paquistão têm transmitido mensagens entre Washington e Teerã nos últimos dois dias, como parte dos esforços para reduzir as tensões.
Segundo a reportagem, os ministros das Relações Exteriores dos três países mantiveram conversas separadas com o enviado da Casa Branca Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araghchi, em um esforço coordenado para abrir canais de comunicação.
Paralelamente, o chanceler turco Hakan Fidan vem conduzindo uma intensa agenda diplomática. Uma fonte diplomática turca disse à Reuters que Fidan realizou ligações com Araghchi, o chanceler egípcio Badr Abdelatty, a chefe da política externa da UE Kaja Kallas e autoridades americanas para discutir medidas que ponham fim à guerra.
Esses contatos diplomáticos ocorrem enquanto os mercados globais reagem fortemente aos desdobramentos da crise.
O impasse sacudiu os mercados de energia: o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, um estreito gargalo por onde passa aproximadamente um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, provocou a pior interrupção energética desde os anos 1970.
Em uma publicação no Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos e o Irã tiveram conversas muito boas e produtivas nos últimos dois dias e indicou que medidas adicionais dependerão do resultado das negociações em curso.
Os futuros das bolsas americanas subiram e os preços do petróleo caíram após o anúncio da pausa por Trump na segunda-feira, refletindo a redução do temor de um confronto militar iminente.
O Irã, porém, negou que quaisquer negociações diretas tenham ocorrido. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que não houve conversas com Washington e sugeriu que Trump recuou para evitar novos picos nos preços de energia.
Teerã também afirma que o Estreito de Ormuz permanece aberto, exceto para os Estados Unidos e seus aliados, apesar de ter efetivamente restringido a passagem após os ataques americanos e israelenses ao Irã em 28 de fevereiro.
Uma fonte familiarizada com os esforços de mediação disse ao Axios que as discussões estão focadas em encerrar as hostilidades e resolver questões pendentes, acrescentando que há progresso sendo feito.
O chanceler egípcio Abdelatty também realizou ligações com Witkoff, Araghchi e homólogos da Turquia, Paquistão e Catar, ressaltando a necessidade de conter o conflito e impedir que se alastre, informou o Ministério das Relações Exteriores egípcio.
A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido de comentário, segundo o Axios.
O Axios foi fundado em 2016 por ex-jornalistas do Politico: Jim VandeHei, Mike Allen e Roy Schwartz. Cobre negócios, política, tecnologia, saúde e mídia.



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