1.345 detidos nos 10 primeiros meses de 2025 em repressão ao Hizmet
As autoridades turcas detiveram 1.395 pessoas nos 10 primeiros meses de 2025 como parte da contínua repressão ao movimento Hizmet, de inspiração religiosa, informou o ministro do Interior, Ali Yerlikaya, a uma comissão parlamentar na segunda-feira, segundo noticiado pelo Stockholm Center for Freedom.
Durante uma sessão orçamentária no Parlamento, Yerlikaya afirmou que as autoridades realizaram 3.258 operações no mesmo período, nas quais outros 1.347 suspeitos foram colocados em liberdade sob supervisão judicial, acrescentando que a repressão do governo continuaria “com a mesma determinação”.
Ao fazer uso da palavra na sessão, Murat Bakan, deputado do principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), disse que quase 12 mil operações foram conduzidas contra o movimento desde que o atual gabinete assumiu em junho de 2023. Ele questionou por que apenas 3.760 prisões haviam sido efetuadas apesar do grande número de operações, argumentando que os dados mostram que as “operações não estão produzindo resultados”.
O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan vem mirando os participantes do movimento Hizmet, inspirado pelo falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção em dezembro de 2013 implicaram o próprio presidente, bem como membros de sua família e de seu círculo próximo.
Ao descartar as investigações como um golpe do Hizmet e uma conspiração contra seu governo, Erdoğan passou a perseguir os integrantes do movimento. Ele declarou o movimento uma organização terrorista em maio de 2016 e intensificou a repressão após a tentativa de golpe fracassada em julho do mesmo ano, da qual acusou Gülen de ser o mentor.
Segundo os dados mais recentes do Ministério da Justiça, mais de 126 mil pessoas foram condenadas por supostos vínculos com o movimento desde 2016, das quais 11.085 ainda permanecem na prisão. Processos judiciais seguem em curso contra mais de 24 mil indivíduos, enquanto outros 58 mil continuam sob investigação ativa quase uma década depois.
Além das milhares de pessoas presas, dezenas de outros participantes do movimento Hizmet tiveram de fugir da Turquia para escapar da repressão do governo.


