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Advogado turco detido em Moçambique enfrenta extradição por ligações com o Hizmet

Advogado turco detido em Moçambique enfrenta extradição por ligações com o Hizmet
janeiro 02
20:08 2026

Um advogado turco que atua como representante legal da Willow International School em Moçambique foi detido na terça-feira após um pedido de extradição das autoridades turcas por supostas ligações com o Hizmet, informou o Stockholm Center for Freedom, citando o jornal diário estatal moçambicano Jornal Notícias.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal de Moçambique informou que Emre Çınar, de 30 anos, foi colocado sob custódia e comparecerá perante um juiz assim que as formalidades processuais forem concluídas. Çınar vive em Maputo desde 2017.

A mídia local relatou que o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, durante uma visita a Moçambique em 2017, pediu publicamente que Çınar e vários empresários turcos fossem “eliminados” e exigiu o fechamento da escola internacional.

As reportagens também afirmaram que Haluk Görgün, chefe da Presidência das Indústrias de Defesa da Turquia (SSB), reiterou a exigência de Ancara durante uma visita a Maputo em novembro, supostamente oferecendo apoio aos esforços antiterrorismo de Moçambique na província setentrional de Cabo Delgado em troca de medidas contra instituições ligadas ao Hizmet.

O presidente Recep Tayyip Erdoğan tem mirado participantes do Hizmet, inspirado pelo falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção em dezembro de 2013 o implicaram, assim como alguns membros de sua família e de seu círculo mais próximo.

Ao descartar as investigações como um golpe do Hizmet e uma conspiração contra seu governo, Erdoğan passou a atingir os participantes do movimento. Ele designou o movimento como organização terrorista em maio de 2016 e intensificou a repressão após uma tentativa de golpe em julho do mesmo ano, que ele acusou Gülen de ter arquitetado. O movimento nega veementemente qualquer envolvimento na tentativa de golpe ou em qualquer atividade terrorista.

Organizações de direitos humanos alertaram que Çınar, que deixou a Turquia sob pressão política, poderia enfrentar perseguição se for extraditado e pediram a organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas, que intervenham.

Pelo princípio jurídico internacional do non-refoulement, solicitantes de asilo e refugiados devem ser protegidos contra remoção para um país onde sua vida ou liberdade estaria ameaçada. O princípio é uma pedra angular da proteção a refugiados, consagrada na Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951.

Desde a tentativa de golpe, o longo braço de Erdoğan alcançou dezenas de milhares de cidadãos turcos no exterior. Da vigilância por meio de missões diplomáticas e organizações da diáspora pró-governo à recusa de serviços consulares, além de intimidação aberta e transferências ilegais, o governo turco empregou uma ampla gama de táticas contra seus críticos fora do país. A campanha tem se baseado sobretudo em transferências, nas quais a Turquia e sua Organização Nacional de Inteligência (MİT) persuadem outros Estados a entregar indivíduos sem o devido processo legal. Vítimas dessas operações relataram diversas violações de direitos humanos, incluindo prisão arbitrária, tortura e maus-tratos. O MİT reconheceu ter conduzido operações para o retorno forçado de mais de 100 pessoas acusadas de ligações com o Hizmet.

Fonte: Turkish lawyer detained in Mozambique, faces extradition to Turkey over Gülen links

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