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Parlamento Europeu mira aliados de Erdogan na Europa e critica repressão transnacional e propaganda estatal da Turquia

Parlamento Europeu mira aliados de Erdogan na Europa e critica repressão transnacional e propaganda estatal da Turquia
junho 23
16:25 2026

Deputados do Parlamento Europeu criticaram duramente o governo turco pelo que descreveram como um padrão de repressão transnacional, interferência política no exterior e apoio a redes extremistas e ideológicas, marcando uma das mais fortes condenações da conduta de Ancara para além de suas fronteiras nos últimos anos.

Em seu relatório de 2025 sobre a Turquia, o Parlamento Europeu condenou casos relatados de intimidação, devoluções forçadas e o uso indevido de mecanismos de cooperação internacional contra nacionais turcos que residem no exterior. O relatório também acusou Ancara de minar a coesão social, a segurança e os processos democráticos em Estados membros da União Europeia por meio de atividades dirigidas a comunidades da diáspora e por meio do uso da agência de notícias estatal Anadolu como órgão de propaganda.

O relatório reflete a crescente preocupação em Bruxelas de que a administração do presidente Recep Tayyip Erdogan estendeu sua campanha contra críticos muito além das fronteiras da Turquia, contando com ferramentas diplomáticas, de inteligência, jurídicas e midiáticas para perseguir supostos opositores no exterior.

Os parlamentares europeus afirmaram permanecer alarmados com relatos de repressão transnacional contra cidadãos turcos e ex-residentes turcos em múltiplos países. A preocupação gira em torno de alegações de que as autoridades turcas procuraram identificar, monitorar, pressionar e, em alguns casos, assegurar o retorno de indivíduos acusados de vínculos com grupos que Ancara considera organizações terroristas, em particular seguidores do movimento Hizmet, de orientação religiosa e crítico a Erdogan.

İbrahim Kalın, chefe da inteligência turca e ex-porta-voz e principal assessor do presidente Recep Tayyip Erdogan, disse no relatório de atividades da agência de 2025 que combater figuras da oposição no exterior é uma prioridade para a instituição e anunciou publicamente essa política.

A referência do Parlamento Europeu a devoluções forçadas ecoa preocupações anteriormente levantadas por organizações internacionais de direitos humanos a respeito de extradições e deportações realizadas de países da África, da Ásia e dos Bálcãs. Vários casos envolveram indivíduos transferidos para a Turquia em circunstâncias jurídicas contestadas após serem detidos no exterior. Autoridades turcas defenderam essas operações como esforços legítimos de contraterrorismo desenvolvidos em cooperação com governos parceiros.

Os parlamentares também condenaram o que descreveram como o uso indevido de mecanismos de cooperação internacional para perseguir críticos do governo no exterior. A questão tem sido alvo de escrutínio há anos em meio a alegações de que as autoridades turcas buscaram utilizar canais de aplicação da lei internacional, inclusive mecanismos da INTERPOL, para localizar, monitorar ou solicitar o retorno de oponentes políticos residentes fora da Turquia.

O Nordic Monitor publicou anteriormente documentos que sugerem que as autoridades turcas apresentaram pedidos por meio de canais da INTERPOL e outros mecanismos de cooperação policial internacional visando jornalistas, dissidentes, acadêmicos e participantes do movimento Hizmet que vivem no exterior. Organizações de direitos humanos também levantaram preocupações em relatos separados sobre o potencial uso de tais mecanismos em casos politicamente sensíveis. Críticos argumentam que alguns desses pedidos podem estar ligados a atividade política, e não a conduta criminal convencional. As autoridades turcas negam qualquer uso indevido de ferramentas policiais internacionais e afirmam que seus pedidos se baseiam em investigações legítimas de contraterrorismo e inquéritos criminais.

O relatório do PE também criticou o uso da agência de notícias estatal Anadolu, descrevendo-a como um órgão de propaganda empregado para difundir as narrativas de Ancara no exterior. Os parlamentares europeus disseram que a agência tem sido utilizada em atividades que minam processos democráticos e a coesão social dentro dos Estados membros da UE. As autoridades turcas negam tais alegações e sustentam que a Anadolu funciona como uma organização internacional de notícias profissional.

O relatório também levantou preocupações sobre o envolvimento de Ancara com comunidades da diáspora em toda a Europa. Os parlamentares europeus acusaram as autoridades turcas de interferir nos assuntos internos de Estados membros por meio de campanhas de influência política dirigidas a cidadãos de origem turca. Tais preocupações surgiram periodicamente em países como Alemanha, Áustria, França, Holanda e Bélgica, onde debates sobre integração, lealdade política e influência estrangeira geraram atritos entre governos europeus e Ancara.

A atenção especial foi dedicada aos Ülkü Ocakları, amplamente conhecidos como Lobos Cinzentos, um movimento ultranacionalista estreitamente associado ao Partido do Movimento Nacionalista (MHP), principal aliado de Erdogan.

O Parlamento Europeu descreveu o movimento como racista e extremista e expressou preocupação com sua crescente presença não apenas na Turquia, mas também em Estados membros da UE. Os parlamentares pediram à União Europeia e aos governos nacionais que analisem a possibilidade de banir organizações afiliadas ao movimento.

Os Lobos Cinzentos emergiram do movimento nacionalista turco e há muito estão associados ao ativismo ultranacionalista. Autoridades de segurança e pesquisadores de vários países europeus alertaram que o movimento promove hostilidade étnica e ideologia extremista.

A França dissolveu um grupo ligado aos Lobos Cinzentos em 2020, após tensões envolvendo membros da comunidade armênia e incidentes que as autoridades disseram ter envolvido discurso de ódio e incitação à violência. A Áustria proibiu a exibição pública do gesto de mão dos Lobos Cinzentos, enquanto os serviços de segurança alemães monitoram há anos organizações ligadas ao movimento e o descreveram como uma das maiores redes extremistas de extrema-direita do país. Atualmente não existe uma proibição nacional na Alemanha.

O relatório também condenou o que os parlamentares descreveram como a política da Turquia de fornecer apoio político, financeiro, midiático e logístico a organizações afiliadas à Irmandade Muçulmana que operam em partes da Europa e nas regiões vizinhas à UE. Segundo o relatório, esse apoio possibilita que redes, associações, instituições de caridade e educacionais ligadas à Irmandade Muçulmana se engajem em atividades de influência ideológica, arrecadação de fundos e recrutamento. Os parlamentares europeus pediram que a Turquia encerre todas as formas de apoio a essas organizações.

O relatório de 2025 faz parte de uma avaliação mais ampla sobre governança democrática e Estado de Direito na Turquia. Além das preocupações com repressão transnacional e influência estrangeira, os parlamentares reiteraram críticas ao estado da independência judicial, às restrições à liberdade de imprensa, à pressão sobre organizações da sociedade civil, à perseguição de jornalistas e figuras políticas, ao tratamento dado a partidos de oposição, às preocupações com corrupção e à continuada falha na implementação de certas decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

O relatório também levantou preocupações sobre a direção da política externa turca, as tensões com países vizinhos e a estagnação contínua da candidatura de longa data do país à adesão à União Europeia.

Em conjunto, os achados representam uma das críticas mais abrangentes já emitidas por parlamentares europeus contra o governo de Erdogan nos últimos anos, sinalizando que as preocupações com as atividades da Turquia para além de suas fronteiras tornaram-se cada vez mais centrais no debate sobre o futuro das relações UE-Turquia.

Fonte: EP targets Erdogan allies in Europe, criticizing Turkey’s overseas crackdowns and state media propaganda reach – Nordic Monitor

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