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Etiópia constrói frota nacional de drones após uso decisivo de aeronaves turcas não tripuladas na guerra civil

Etiópia constrói frota nacional de drones após uso decisivo de aeronaves turcas não tripuladas na guerra civil
setembro 12
17:41 2026

A Etiópia fabrica drones em duas unidades desde o ano passado e agora supostamente possui uma frota na casa dos milhares, segundo analistas, depois que aeronaves não tripuladas fabricadas na Turquia se mostraram decisivas para as forças federais durante a devastadora guerra civil no país, entre 2020 e 2022.

O Exército federal usou drones turcos para repelir os rebeldes da região setentrional de Tigré depois que eles avançaram até 200 quilômetros da capital, Adis Abeba.

Desde então, a Etiópia adquiriu os drones de combate Akıncı, de alta capacidade, e os mais básicos Bayraktar TB2, da Turquia, além de modelos Wing Loong, mais baratos, da China, e drones Mohajer-6, do Irã.

Apenas o Exército federal possui drones militares no país, que tem 130 milhões de habitantes. As aeronaves foram usadas repetidamente contra insurgentes que atuam em várias regiões.

Agora, porém, a Etiópia está produzindo drones internamente.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed inaugurou a fábrica da SkyWin Aeronautics Industries em Adis Abeba em março de 2025. A unidade fabrica “veículos aéreos não tripulados para uso civil e militar”, segundo a estatal Agência de Notícias da Etiópia, que afirmou que as aeronaves foram “projetadas e construídas por nossos próprios jovens profissionais”.

Abiy afirmou que o objetivo era “não alimentar o conflito, mas preveni-lo” por meio da “dissuasão”.

Ainda há muitas incertezas sobre a capacidade de produção de drones da Etiópia, e as autoridades impediram o acesso da imprensa estrangeira à unidade.

“Um galpão com alguns drones reluzentes nos diz pouco sobre as reais capacidades de produção e sobre a origem da tecnologia, dos componentes essenciais ou possivelmente de kits completos”, disse à Agence France-Presse Pieter Wezeman, pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.

“Minha avaliação é que uma parte substancial de tudo isso é importada”, afirmou.

Jeremy Binnie, da empresa de defesa e inteligência Janes, disse que o modelo SW01 exibido na inauguração da SkyWin se assemelha muito a um drone chinês disponível comercialmente.

“A produção em massa desses equipamentos poderia aumentar significativamente sua eficácia militar se cada brigada tivesse dois ou três para localizar o inimigo, solicitar ataques de artilharia e ajustar o fogo”, disse Binnie, acrescentando que os drones também poderiam ser modificados para transportar pequenas bombas.

A Etiópia abriu uma segunda fábrica, a Aeroabay, no fim de 2025. A unidade produz milhares de pequenos drones armados, com custo entre US$ 5 mil e US$ 10 mil cada, segundo Wim Zwijnenburg, especialista em drones do grupo de resolução de conflitos PAX.

Os quadricópteros de visão em primeira pessoa, conhecidos como FPV, permitem que os pilotos monitorem o terreno e transportem cargas explosivas. Alguns são controlados por cabos de fibra óptica, o que os torna resistentes a bloqueios eletrônicos.

O grupo de monitoramento de conflitos ACLED afirma que as forças federais realizaram 102 ataques com drones na região setentrional de Amhara desde o início, em abril de 2023, de uma insurgência da milícia Fano. O Exército também usou drones contra rebeldes na região natal de Abiy, Oromia.

Os drones foram “responsabilizados pelas mortes de civis em diversas ocasiões”, disse Magnus Taylor, do International Crisis Group.

Pelo menos 14 ataques com drones foram registrados em Tigré neste ano, incluindo sete em agosto, em meio ao aumento dos temores de um retorno à guerra civil em grande escala.

A ACLED afirmou que os ataques buscavam “interromper a mobilização e o planejamento” durante uma campanha de recrutamento forçado conduzida pelas autoridades de Tigré.

Segundo Zwijnenburg, o Exército federal parece usar “drones militares maiores, controlados remotamente, que empregam bombas planadoras ou mísseis”.

Amanuel Assefa, vice-presidente da Frente de Libertação do Povo de Tigré, acusou o Exército de tentar “aterrorizar a população, atingir autoridades políticas e militares, destruir alvos específicos e infraestrutura civil básica”.

Alguns analistas temem que os ataques indiquem preparativos para uma nova campanha terrestre.

Edward Bach, da consultoria de riscos Verisk Maplecroft, disse que os ataques contra depósitos de armas e rotas logísticas poderiam ocorrer “em preparação para uma possível ofensiva” das forças federais.

Mas o uso de drones também pode reduzir a necessidade de operações terrestres, disse Taylor.

Segundo ele, Abiy “não parece querer ser arrastado para uma guerra terrestre dispendiosa em Tigré neste momento”.

“Abiy parece encarar isso como uma guerra de desgaste por enquanto e, como pode usar drones praticamente sem oposição, consegue mantê-la por muito mais tempo.”

© Agence France-Presse

Fonte: Turkish Minute

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