Turquia aprova primeira lei do processo de paz com os curdos
O parlamento da Turquia aprovou nesta segunda-feira uma lei que suspende processos criminais e penas de prisão para alguns integrantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), marcando o primeiro passo legislativo de um processo voltado a encerrar mais de quatro décadas de conflito.
Os parlamentares aprovaram a medida por 468 votos a 88, com seis abstenções.
A lei permite que alguns integrantes do PKK que depuserem as armas retornem à vida civil, mas não concede anistia geral.
Processos criminais e penas de prisão relativos a determinados crimes serão suspensos por períodos de cinco a dez anos. As investigações serão arquivadas e as penas serão consideradas cumpridas se os beneficiados não reincidirem nesse período.
Cerca de 3.500 detidos ligados ao PKK devem ser libertados na primeira fase, segundo parlamentares. O número representa cerca de um terço das pessoas presas na Turquia por supostos vínculos com o grupo.
Pessoas condenadas por crimes como homicídio doloso permanecem fora do alcance da medida.
A lei não especifica o destino de Abdullah Öcalan, de 77 anos, fundador do PKK, que cumpre pena de prisão perpétua e está preso na Ilha de İmralı desde 1999.
O caso de Öcalan "não está no escopo desta lei", disse à CNN Türk, na semana passada, o vice-presidente Cevdet Yılmaz. Yılmaz afirmou que Öcalan ainda pode contribuir para o processo de paz, mas não explicou como.
Öcalan pediu ao PKK, em fevereiro de 2025, que se dissolvesse, depusesse as armas e buscasse os direitos dos curdos por meios políticos. O grupo anunciou sua dissolução em maio de 2025, e seus integrantes começaram a destruir armas em uma cerimônia no norte do Iraque dois meses depois.
A lei teve o apoio do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), do presidente Recep Tayyip Erdoğan, e do pró-curdo DEM Parti.
Turhan Çömez, parlamentar do nacionalista Partido do Bem (İYİ Parti), de oposição, se opôs à medida durante o debate desta segunda-feira.
"Como vocês podem negociar com terroristas? […] Vocês disseram que eles depositariam as armas incondicionalmente", disse Çömez.
O líder do Novo Partido, Özgür Özel, cujo partido é a principal força de oposição da Turquia, apoiou a lei.
"Paz, democracia e justiça servirão como remédio" para a Turquia, disse Özel.
O DEM Parti teve papel nos contatos entre Öcalan e a cúpula política da Turquia iniciados em outubro de 2024. Delegações do partido viajaram a İmralı para se reunir com Öcalan e transmitir mensagens entre as duas partes.
O PKK alertou no domingo que excluir Öcalan cruzaria uma linha vermelha e que muitos dispositivos da lei permaneceriam "letra morta" caso ele não fosse libertado.
O conflito já matou pelo menos 50 mil pessoas desde que o PKK lançou sua campanha armada contra o Estado turco em 1984.
©Agence France-Presse.
Fonte: Turkey passes first law in Kurdish peace process – Turkish Minute (Agence France-Presse)



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