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Conselho da Europa pressiona Turquia a exigir provas concretas antes de prender suspeitos ligados ao Movimento Hizmet

Conselho da Europa pressiona Turquia a exigir provas concretas antes de prender suspeitos ligados ao Movimento Hizmet
junho 25
14:21 2026

O Comitê de Ministros do Conselho da Europa instou a Turquia a garantir que seus tribunais se baseiem em provas concretas antes de prender suspeitos aguardando julgamento. A decisão decorre de casos envolvendo pessoas detidas após a tentativa de golpe de 2016 por supostos vínculos com o Movimento Hizmet.

O comitê afirmou que os tribunais turcos devem recorrer à prisão preventiva somente como último recurso e aplicar as salvaguardas previstas de forma consistente pelo Código de Processo Penal do país, alterado para exigir suspeita fundada em provas concretas antes que qualquer suspeito possa ser preso aguardando julgamento.

A decisão diz respeito a acórdãos do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) que constataram violações na detenção de Alparslan Altan, ex-magistrado do Tribunal Constitucional da Turquia, e de Tekin Akgün, ex-policial. Ambos foram detidos após o golpe frustrado de julho de 2016 por alegados vínculos com o Movimento Hizmet.

O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan passou a ter como alvo os participantes do Movimento Hizmet, inspirado pelo falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção em dezembro de 2013 implicaram o próprio Erdoğan, membros de sua família e integrantes de seu círculo íntimo. Erdoğan classificou as investigações como uma conspiração do Hizmet e, em maio de 2016, designou o movimento como organização terrorista, intensificando uma repressão em larga escala após a tentativa de golpe de julho do mesmo ano, que atribuiu ao Hizmet. O movimento nega qualquer envolvimento no golpe ou em atividades terroristas.

O Comitê de Ministros, órgão do Conselho da Europa responsável pela supervisão da execução dos acórdãos do TEDH, adotou a decisão em reunião de direitos humanos realizada entre 9 e 11 de junho de 2026.

O comitê instou as autoridades turcas a adotar “medidas concretas e orientadas a resultados” para assegurar que juízes e promotores apliquem o artigo 100 do Código de Processo Penal, que regula a prisão preventiva na Turquia.

No caso Altan, o TEDH concluiu que a detenção inicial foi ilegal e que as autoridades turcas não demonstraram suspeita razoável de que ele havia cometido qualquer infração.

O tribunal também constatou violações no caso Akgün. A questão central era o suposto uso pelo réu do ByLock, aplicativo de mensagens criptografadas que as autoridades turcas trataram como prova de vínculo com o Movimento Hizmet. O TEDH declarou que as provas disponíveis no momento da detenção de Akgün não atendiam ao padrão de suspeita razoável.

O comitê solicitou ainda à Turquia que apresente decisões judiciais exemplificativas demonstrando a aplicação efetiva da lei de prisão preventiva alterada, além de dados estatísticos comparando o uso da prisão preventiva com medidas alternativas, como a supervisão judicial.

Foram pedidas também informações sobre medidas adotadas ou planejadas para evitar períodos excessivamente longos de prisão preventiva.

A decisão levantou preocupações adicionais quanto a restrições ao acesso aos autos de inquérito. O comitê instou a Turquia a esclarecer que medidas tomou ou planeja tomar para garantir que os acusados tenham conhecimento suficiente das provas contra eles, e a assegurar que decisões que restrinjam esse acesso incluam fundamentação relevante e adequada.

O órgão pediu ainda informações sobre mecanismos de reparação por detenção ilegal, incluindo indenizações concedidas pelo Tribunal Constitucional da Turquia.

O Comitê de Ministros registrou o trabalho de uma comissão parlamentar turca criada no âmbito da iniciativa “Turquia Livre do Terrorismo” do governo e solicitou a Ancara que apresente detalhes sobre medidas concretas e um cronograma de implementação.

O comitê informou que continuará examinando os grupos de casos em uma de suas reuniões de direitos humanos em 2027.

Fonte: Council of Europe presses Turkey over Gülen-linked pretrial detention cases – Stockholm Center for Freedom

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