Turquia detém 968 suspeitos ligados ao Hizmet antes do 10º aniversário do golpe de 2016
Imagem ilustrativa gerada por IA - Voz da Turquia
Promotores turcos ordenaram na segunda-feira a detenção de 968 pessoas por supostos vínculos com o Movimento Hizmet, que Ancara acusa de orquestrar uma tentativa de golpe fracassada em 2016, informou o ministro da Justiça, Akın Gürlek.
A operação em âmbito nacional ocorreu dois dias antes do 10º aniversário da tentativa de golpe, informou o Turkish Minute.
A campanha do presidente Erdoğan contra o Movimento Hizmet, uma iniciativa civil mundial inspirada pelas ideias do falecido clérigo muçulmano Fethullah Gülen, começou depois que investigações de corrupção em dezembro de 2013 implicaram Erdoğan, além de membros de sua família e de seu círculo íntimo. Erdoğan classificou as investigações como uma conspiração e designou formalmente o movimento como organização terrorista em maio de 2016.
Após a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016, que ele imediatamente atribuiu ao Movimento Hizmet, Erdoğan ampliou de forma significativa uma repressão que já estava em curso contra os participantes do movimento. O movimento nega veementemente qualquer envolvimento na tentativa de golpe ou em atividades terroristas.
Gürlek e o ministro do Interior, Mustafa Çiftçi, disseram que a operação, realizada nas 81 províncias do país, teve como alvo as supostas redes secretas do movimento e abrangeu 968 suspeitos.
“A vontade de nossa nação e a sobrevivência de nosso Estado estão sob ameaça da rede traidora FETO/PDY, e nossa luta contra ela continua com a mesma determinação do primeiro dia”, escreveram no X, usando uma sigla que se refere à “estrutura de Estado paralelo” que, segundo Ancara, o grupo Hizmet teria criado.
A vontade de nossa nação e a sobrevivência de nosso Estado estão sob ameaça da rede traidora FETO/PDY, e nossa luta contra ela continua com a mesma determinação e sensibilidade do primeiro dia.
Hoje pela manhã, nossas Procuradorias-Gerais da República, em conjunto com as forças de Segurança Pública e Gendarmaria, realizaram operações em nossas 81 províncias…
— Akın Gürlek (@abakingurlek), 13 de julho de 2026
Imagens compartilhadas no X pela jornalista Sevinç Özarslan mostraram policiais mascarados armados com fuzis retirando um homem idoso de sua casa durante uma das operações. O homem parecia ter dificuldade para andar e não conseguia usar um dos braços.
INVASÃO COM ARMAS DE CANO LONGO CONTRA IDOSO PARALÍTICO
Uma das pessoas detidas nas operações realizadas esta manhã em 81 províncias foi um idoso paralítico.
As imagens mostram claramente que ele não conseguia usar um dos braços e andava com dificuldade. Mesmo assim, sua casa foi invadida com armas de cano longo…
— Sevinç Özarslan (@sevincozarslan), 13 de julho de 2026
Özarslan disse que o homem era paralítico e criticou o uso de policiais fortemente armados para deter alguém em sua condição.
Sua identidade, seu estado de saúde e as acusações contra ele não foram imediatamente divulgados.
As imagens geraram críticas nas redes sociais quanto aos métodos usados na operação, especialmente contra suspeitos idosos, doentes ou com deficiência.
Após a tentativa de golpe, o governo de Erdoğan impôs um estado de emergência que permaneceu em vigor por dois anos e conduziu um expurgo abrangente nas Forças Armadas, na polícia, no judiciário, na mídia, no sistema educacional e no corpo diplomático.
Centenas de milhares de pessoas foram investigadas ou detidas, enquanto mais de 130 mil servidores públicos foram demitidos por decretos de emergência sob acusação de vínculos com o movimento e outros grupos declarados ilegais.
Analistas veem a tentativa de golpe como um ponto de virada na história recente da Turquia, que permitiu a Erdoğan consolidar seu controle sobre as instituições do Estado e restringir ainda mais as liberdades políticas e civis.
Na semana passada, Çiftçi enviou uma carta aos governadores das 81 províncias da Turquia descrevendo os eventos de 15 de julho de 2016 como “um marco fundacional e inquestionável”.



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