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Turquia usou a Fundação Maarif para fechar ou assumir 162 escolas ligadas ao Hizmet em 29 países, diz relatório

Turquia usou a Fundação Maarif para fechar ou assumir 162 escolas ligadas ao Hizmet em 29 países, diz relatório
julho 13
01:34 2026

O governo turco usou a Fundação Maarif (TMV), controlada pelo Estado, para garantir o fechamento, o confisco ou a transferência à TMV de pelo menos 162 instituições de ensino ligadas ao movimento Hizmet, de inspiração religiosa, em 29 países, por meio de métodos que vão desde pressão diplomática até intervenções coercitivas envolvendo forças de segurança ou serviços de inteligência, informou o Stockholm Center for Freedom, citando um novo relatório.21

Com base em estudos de caso comparativos de 14 países, o relatório mostra como a TMV foi criada semanas antes de uma tentativa de golpe em 2016 e se tornou o principal instrumento da campanha de Ancara voltada a desmantelar uma rede global de escolas associadas ao movimento.

O relatório, intitulado “Turkish Maarif Foundation and the Global Attack on Gülen Schools” [“Fundação Turca Maarif e o Ataque Global às Escolas Gülen”] e publicado pelo grupo de direitos humanos Solidarity with OTHERS, sediado na Bélgica, afirma que muitos dos fechamentos e transferências ocorreram sem procedimentos transparentes, recursos judiciais efetivos ou indenização adequada. Das 162 instituições identificadas, 131 foram transferidas diretamente à TMV, enquanto a campanha mais ampla afetou aproximadamente 7.800 funcionários.

O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan tem como alvo o movimento Hizmet — uma iniciativa cívica mundial inspirada nas ideias do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, morto em 2024 — desde as investigações de corrupção de dezembro de 2013, que o incriminaram, assim como a membros de sua família e de seu círculo próximo. Ele descartou as investigações como uma conspiração do Hizmet e, mais tarde, classificou o movimento como organização terrorista em maio de 2016, intensificando uma repressão abrangente após a tentativa de golpe em julho do mesmo ano, que atribuiu ao Hizmet. O movimento nega envolvimento na tentativa de golpe ou qualquer atividade terrorista.

O relatório situa a campanha internacional da TMV dentro da repressão mais ampla da Turquia no pós-golpe, observando que as autoridades fecharam 3.492 instituições ligadas ao Hizmet dentro do país após 2016, incluindo cerca de 1.350 escolas, e revogaram as autorizações de trabalho de quase 20 mil profissionais da educação.

Ele inclui casos do Mali, do Níger, do Afeganistão, da Libéria e da Venezuela, descrevendo um padrão recorrente em que governos fecharam ou transferiram escolas após pressão de Ancara. Em vários países, professores e administradores turcos foram detidos e/ou deportados.

Na Libéria, por exemplo, as autoridades confiscaram passaportes e documentos de residência de funcionários de duas escolas ligadas ao Hizmet e de seus familiares em abril de 2022. Posteriormente, pessoal de segurança retirou funcionários e suas famílias de suas casas e os levou ao aeroporto, deportando-os sem processo judicial ou administrativo prévio nem oportunidade de contestar a decisão. Alguns dos deportados estavam sob proteção internacional.

Segundo o relatório, essas medidas resultaram em violações dos direitos à propriedade, ao trabalho, à liberdade de circulação e ao acesso à justiça para proprietários de escolas, funcionários e suas famílias.

Em sua avaliação jurídica, o relatório afirma que o padrão documentado oferece base razoável para considerar se a campanha configura perseguição como crime contra a humanidade nos termos do Artigo 7º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.

Apesar de seu status jurídico como fundação, a TMV está estruturalmente inserida no aparato estatal turco, afirma o relatório. Seu conselho de administração inclui altos funcionários do governo e indicados pela presidência.

O relatório descreve um padrão de “circulação de elites” entre a liderança da TMV e a burocracia diplomática e estatal da Turquia, com funcionários graduados da fundação transitando entre cargos na TMV, no Ministério das Relações Exteriores, em embaixadas turcas e em outras instituições governamentais.

Reforçando ainda mais seu caráter estatal, a TMV goza de privilégios legais não disponíveis a fundações privadas comuns, incluindo isenção de fiscalização pelo Tribunal de Contas da Turquia. A fundação tem recebido financiamento público crescente desde 2022, com repasses anuais do governo que chegaram a 7,8 bilhões de liras (US$ 195 milhões) em 2026.

As conclusões do relatório retratam a TMV não simplesmente como uma provedora de ensino no exterior, mas como parte de uma campanha respaldada pelo Estado que estendeu a repressão turca pós-2016 além de suas fronteiras, com frequência às custas do devido processo legal, dos direitos de propriedade e do sustento de milhares de educadores.

Além de garantir a transferência ou o fechamento de escolas ligadas ao Hizmet em alguns países, o governo turco tem conduzido, desde 2016, uma ampla campanha de repressão transnacional, visando supostos apoiadores do movimento no exterior por meio de vigilância, sequestros, retornos forçados e pressão sobre governos anfitriões. A campanha tem atraído escrutínio constante de organizações internacionais de monitoramento e órgãos de direitos humanos. Em um relatório de 2023, a Freedom House classificou a Turquia como a segunda praticante mais prolífica de repressão transnacional no mundo, atrás apenas da China.

Turkish Minute — 10 de julho de 2026 

Fonte:  Turkey used Maarif Foundation to close or take over 162 Gülen-linked schools in 29 countries: report – Turkish Minute 

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