Turquia detém 21 por supostos vínculos com o Hizmet, incluindo sete acusados de ajudar famílias de presos
Imagem: ilustração editorial gerada por IA, do acervo do Voz da Turquia. Não retrata os detidos nem uma operação real.
A polícia turca deteve 21 pessoas na terça-feira (3) em duas investigações sobre supostos vínculos com o Movimento Hizmet, inspirado no clérigo Fethullah Gülen, incluindo sete acusadas de prestar assistência financeira a famílias de presos, informou a emissora estatal TRT Haber.
A Procuradoria-Geral de Ancara expediu mandados de detenção contra 25 pessoas nas duas investigações. A polícia continuava à procura de quatro que não haviam sido localizadas.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, tem como alvo o movimento religioso Hizmet, inspirado no clérigo muçulmano Fethullah Gülen, morto em 2024, desde que investigações sobre corrupção, em dezembro de 2013, implicaram o próprio Erdoğan, além de integrantes de sua família e de seu círculo próximo. Ele rejeitou as investigações, classificando-as como uma conspiração de seguidores de Gülen, e designou o movimento como organização terrorista em maio de 2016. A repressão se intensificou após a tentativa de golpe de julho daquele ano, cuja organização Erdoğan atribuiu a Gülen. O movimento nega envolvimento na tentativa de golpe ou em qualquer atividade terrorista.
A primeira investigação teve como alvo 11 pessoas acusadas de prestar apoio financeiro a supostos integrantes do movimento e de manter atividades não especificadas associadas a ele. Sete foram detidas, enquanto a polícia procurava as outras quatro. O site de notícias Bold Medya informou que as acusações também envolviam assistência financeira a famílias de pessoas presas.
As autoridades turcas têm agido repetidamente contra pessoas acusadas de prestar assistência financeira a famílias afetadas pela repressão ao movimento.
Em abril, a polícia deteve 42 pessoas, a maioria mulheres, por ajuda prestada durante o Ramadã, mês sagrado muçulmano, a famílias de pessoas presas ou demitidas de seus empregos por supostos vínculos com o Hizmet. Posteriormente, um tribunal decretou a prisão preventiva de 24 delas, enquanto as outras 18 foram liberadas sob medidas de controle judicial.
Especialistas das Nações Unidas alertaram, em outubro de 2025, para relatos de pessoas presas em razão de relações familiares ou de atividades lícitas de parentes, incluindo transações financeiras. Eles descreveram essa prática como atribuição de culpa por associação, incompatível com o princípio da responsabilidade individual.
As novas detenções ocorrem após outra rodada de operações em todo o país contra supostos integrantes do Movimento Hizmet. Na segunda-feira (2), as autoridades anunciaram que 72 pessoas haviam sido detidas em 32 províncias e que os tribunais haviam decretado a prisão preventiva de 41 delas.
Na segunda investigação, a polícia deteve as 14 pessoas citadas nos mandados durante operações simultâneas em dez províncias, incluindo Ancara, a capital turca. Os promotores as acusaram de participar do que as autoridades descreveram como uma rede clandestina do movimento dentro de instituições públicas. A investigação foi conduzida pela Organização Nacional de Inteligência (MİT) e pelo departamento de contraterrorismo da Polícia de Ancara.
A procuradoria não especificou quais atividades os 14 detidos teriam realizado nas instituições públicas nem explicou quais atividades em andamento eram atribuídas às pessoas investigadas por apoio financeiro. Não havia, de imediato, informações sobre os interrogatórios ou sobre a situação dos detidos após a detenção inicial.
Segundo os dados mais recentes do Ministério da Justiça, mais de 127 mil pessoas foram condenadas por supostos vínculos com o movimento. Desde 2016, as autoridades haviam iniciado procedimentos judiciais contra 720.338 pessoas, das quais 10.485 continuavam presas. Investigações ou processos envolvendo outras 83.404 pessoas ainda estavam em andamento.
Fonte: Turkish Minute, 3 de novembro de 2026. Este artigo foi republicado do Stockholm Center for Freedom.



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