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Turquia continua ataque contra o Hizmet, retorno de requerentes de asilo coloca-os em risco, alerta relatório

Turquia continua ataque contra o Hizmet, retorno de requerentes de asilo coloca-os em risco, alerta relatório
fevereiro 03
16:17 2025

Um novo relatório do Turkey Tribunal alerta que a expansão das operações da Turquia contra supostos participantes do movimento Hizmet, apesar das afirmações de algumas governações ocidentais de que a perseguição ao grupo está diminuindo. O relatório, escrito pelo Professor Em. Dr. Johan Vande Lanote, alerta que recentes mudanças nas políticas de asilo, como as adotadas pela Holanda e pela Noruega, são baseadas no equívoco de que a perseguição na Turquia está diminuindo. Dados e estudos de caso demonstram que milhares continuam enfrentando prisão, processos judiciais e exclusão social sistemática.

“Devolver pessoas para a Turquia, sabendo as consequências que enfrentarão, é uma violação de direitos humanos fundamentais”, diz o relatório.

O presidente Recep Tayyip Erdoğan tem mirado participantes do movimento Hizmet, inspirado pelo clérigo turco Fethullah Gülen, desde que investigações de corrupção reveladas em dezembro de 2013 comprometeram o então primeiro-ministro Erdoğan assim como alguns membros de sua família e círculo íntimo. Desconsiderando as investigações como um golpe do Hizmet e uma conspiração contra seu governo, Erdoğan designou o movimento como uma organização terrorista e começou a alvejar seus participantes. Os ataques se intensificaram após o fracassado golpe de 2016, do qual acusou Gülen de ser o mentor. O movimento nega veementemente ter participado no golpe ou em qualquer atividade terrorista.

Apesar das alegações dos governos holandês e norueguês de que as acusações criminais contra os participantes do Hizmet têm diminuído, o relatório apresenta dados indicando que milhares de indivíduos continuam enfrentando detenção e processos judiciais. Alerta que deportar indivíduos acusados de vínculos com o movimento os expõe a perseguição contínua, incluindo detenção arbitrária, longas sentenças de prisão e listas negras sociais.

Apesar de um declínio em prisões massivas comparado ao imediato pós-golpe, as autoridades turcas realizaram 4.902 operações contra supostos participantes do Hizmet em 2024, prendendo 6.727 pessoas e 935 foram presas.

Os números provam que a perseguição está acontecendo sistematicamente, registra o relatório, notando que as ações legais contra indivíduos ligados ao movimento permanecem em alto nível. “As chances de processos para aqueles não alvo do movimento não diminuíram”.

Estudo revela que as autoridades turcas não apenas continuaram presos supostos participantes do movimento, mas também ampliaram o escopo da perseguição para incluir aqueles que deram apoio financeiro ou moral a famílias de participantes presos do movimento.

Um caso documentado no relatório detalha como um homem em Denizli foi processado após a polícia monitorá-lo por visitar o túmulo de um participante do movimento. As autoridades observaram-no rezando no local e julgaram a ação como “atividade suspeita”.

Em outro caso, 48 indivíduos, incluindo 14 meninas entre 13 e 17 anos, foram presos em maio de 2024 por transmitirem supostamente “propaganda terrorista”. As menores foram interrogadas sem representação legal e detidas por 15 horas, com a principal evidência contra elas sendo a frequência a aulas de reforço escolar ministradas por indivíduos com suspeitos vínculos com o Hizmet.

Também há evidências de que presos já soltos – mesmo aqueles que cumpriram as penas – continuam sob constante vigilância pelas autoridades turcas. A polícia continua monitorando e identificando ex-detentos, limitando sua reintegração na sociedade.

Além disso, os procuradores turcos continuam a recorrer a provas julgadas pela Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) como ilegais e arbitrárias, violando os padrões de julgamento justo, incluindo o uso da app ByLock, ter contas no antigo banco Bank Asya e associação a ONGs ou sindicatos legalmente registrados.

Em uma decisão emblemática de 2023, a CEDH determinou que o uso da ByLock, bem como contas bancárias e associação a sindicatos como evidências criminais na Turquia são ilegais. Contudo,decisões passadas e subsequentes da CEDH não alteraram as práticas judiciais turcas.

O ministro da Justiça turco, Yılmaz Tunç, rejeitou abertamente a decisão, dizendo que a Turquia não a aplicaria,e a Corte Constitucional Turca similarmente descartou sua relevância.

Apesar disso, algumas nações europeias incorretamente assumem que as práticas judiciais na Turquia melhoraram, levando a mudanças nas políticas que colocam requerentes de asilo em risco de deportação e perseguição adicional.

A app ByLock, outrora amplamente disponível online, tem sido considerada uma ferramenta secreta de comunicação entre os apoiadores do movimento desde o golpe fracassado,apesar da falta de provas de que as mensagens ByLock estivessem relacionadas ao golpe.

O relatório também cita casos de indivíduos que, após cumprirem penas inteiras, foram submetidos a novos processos legais acusando-os de esforços para reestruturar o movimento Hizmet na Turquia. Aqueles que fornecem ajuda financeira ou social a famílias de presos do movimento Hizmet também são frequentemente alvos em recentes ações judiciais.

Indivíduos acusados de ligações com o movimento Hizmet também enfrentam marginalização social e econômica de longo prazo, de acordo com o estudo, ainda que não sejam condenados de qualquer crime. As autoridades turcas atribuíram códigos de seguro social (Códigos 36 e 37) a suspeitos do movimento para impedir que encontrem emprego, acessem saúde ou matriculem filhos na escola.

Essa política de exclusão constitui perseguição sistemática, forçando muitos a buscar asilo no exterior. Alerta que o retorno de participantes do movimento Hizmet à Turquia representa uma violação dos Artigos 3 e 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proíbem tratamento inumano e garantem julgamentos justos.

Fonte: Turkey’s crackdown on Gülen movement continues, returning asylum seekers puts them at risk, report warns – Stockholm Center for Freedom

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