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  • Parente do presidente turco revela objetivo de Erdogan de ressuscitar a autoridade religiosa otomana Sadık Albayrak, sogro do ex-ministro Berat Albayrak e parente por casamento de Erdogan, afirmou em entrevista televisionada que o presidente turco planeja reviver o Meşihat otomano e o cargo de Şeyhülislam, abolidos em 1924. Segundo ele, Erdogan já ordenou a reconstrução do complexo histórico em Istambul, mas o projeto enfrenta obstáculos burocráticos. As declarações acendem o debate sobre os limites entre restauração patrimonial e reconfiguração do Estado turco em bases islamistas....
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  • Metade dos turcos desconfia do Judiciário, com a confiança caindo para 36%, diz pesquisa Pesquisa de opinião de março de 2026 revela que metade dos turcos desconfia do Judiciário, com apenas 36% confiando nos tribunais, em um cenário de ampla erosão da confiança em instituições políticas, mídia e oposição. O levantamento mostra ainda alta confiança nas forças de segurança e reforça a ligação entre crise institucional, questões de justiça e desafios econômicos como inflação e desemprego na Turquia....
  • Governo Erdogan usa ataques sangrentos em escolas para justificar repressão a VPNs e censura na Internet na Turquia em 2026 Após ataques mortais em escolas de Şanlıurfa e Kahramanmaraş que mataram nove pessoas, o governo Erdogan propõe licenças obrigatórias para VPNs e bloqueio de serviços não conformes, alegando proteção a menores de conteúdo violento online, ampliando a censura em um país com mais de 1 milhão de sites bloqueados....
  • Turquia julga 168 ativistas por protesto contra violência contra mulheres em Istambul Um tribunal de Istambul aceitou a denúncia contra 168 ativistas — majoritariamente mulheres — que participaram de um protesto em 25 de novembro de 2024, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e agora enfrentam penas de até seis anos de prisão. A manifestação, impedida pela polícia com uso de força e gás de pimenta, terminou em detenções em massa após tentativas frustradas de leitura de um comunicado público. O caso ocorre em meio a crescentes preocupações sobre o aumento de feminicídios na Turquia, repressão a protestos e o enfraquecimento de proteções legais, agravado pela saída do país da Convenção de Istambul em 2021....
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  • Turquia acusa Ocidente de proteger suspeitos do Hizmet após rejeições massivas de extradição O ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, criticou duramente aliados ocidentais por recusarem pedidos de extradição contra indivíduos ligados ao movimento Hizmet, acusado por Ancara de organizar o golpe fracassado de 2016. Apesar de quase 2.900 solicitações enviadas a 119 países, apenas três resultaram em extradição, refletindo a falta de reconhecimento internacional da classificação do grupo como terrorista. Enquanto a Turquia promete intensificar a perseguição global ao movimento, tribunais europeus e organizações de direitos humanos continuam alertando para violações legais e abusos sistemáticos, incluindo detenções arbitrárias, uso controverso de provas e transferências forçadas de suspeitos....

Erdogan: Silenciando críticas para permanecer no poder

Erdogan: Silenciando críticas para permanecer no poder
agosto 04
12:04 2016

Erdogan justifica expurgos dizendo que enfrenta ‘conspiradores terroristas’

A tentativa de golpe militar do dia 15 e a violenta repressão que se seguiu na Turquia são consequências da estratégia de permanência no poder do presidente Recep Tayyip Erdogan. A Turquia se consolida ao lado da Venezuela e da Rússia de hoje, e da Alemanha e da Itália dos anos 30, como laboratório de um desconcertante experimento: a incursão no autoritarismo pela via democrática.

Embalado pelo crescimento da economia e pelo conservadorismo religioso de parte da população turca, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) venceu cinco eleições parlamentares entre 2002 e 2015. Erdogan e seu AKP representaram uma quebra de paradigma na política da Turquia moderna, em que só havia antes espaço para nacionalistas de direita e de esquerda e liberais.

Fundado por Kemal Ataturk e outros oficiais sobre os escombros do Império Otomano depois da 1.ª Guerra, o Estado turco moderno tinha como fundamento a separação mesquita-Estado, com os militares como guardiões do secularismo. Assim como outros movimentos islâmicos, o Partido do Bem-Estar, pelo qual Erdogan se elegeu prefeito de Istambul em 1994, foi banido, em 1998, por “incitação à intolerância religiosa”. Erdogan foi condenado a 10 meses de prisão e tornado inelegível. O grupo criou um partido mais moderado, o AKP, que, ao chegar ao governo, em 2003, indultou Erdogan e promoveu uma votação em um distrito para que ele pudesse se eleger deputado e tornar-se premiê.

Veio a Primavera Árabe, em 2011, e Erdogan rompeu com os ditadores e passou a se promover como o campeão da liberdade no mundo muçulmano, apoiando grupos extremistas na Síria. Passou a construir suntuosos palácios e mesquitas, ao estilo otomano, e a dirigir-se, em seus pronunciamentos à nação, não mais ao povo turco, mas à Umma, a comunidade muçulmana mundial. Confiante, Erdogan começou a mudar as leis, restringindo o consumo de bebidas alcoólicas e permitindo o uso do véu em repartições públicas. Foi aí que ele começou a enfrentar resistências mais visíveis.

As manifestações de 2013 na Praça Taksim, em Istambul, foram desencadeadas pelo projeto de construção de um shopping que recriava um antigo quartel otomano, mas evoluíram rapidamente para protestos contra o crescente autoritarismo de Erdogan. Os protestos acabaram duramente reprimidos. Em dezembro do mesmo ano, eclodiu um escândalo de corrupção, no qual Erdogan foi acusado de desviar bilhões de dólares em um esquema de triangulação da venda do petróleo iraniano, que estava sob embargo americano e europeu. Erdogan mudou a lei, para submeter a nomeação de juízes e promotores ao Ministério da Justiça, e obteve a prisão dos magistrados que o investigavam. Grampos telefônicos publicados no Twitter em fevereiro comprometiam o primeiro-ministro e seu círculo. Em um deles, Erdogan instruía seu filho a esconder o dinheiro guardado em casa, ao saber de um mandado de busca e apreensão, em dezembro. O primeiro-ministro, então, baniu o Twitter na Turquia e passou a acusar de conspiração o movimento Hizmet (“Serviço”), inspirado na corrente sufi do Islã, que prega o diálogo entre as religiões e as culturas.

Erdogan sabia que não sobreviveria sem apoio das Forças Armadas. A Turquia sofreu quatro golpes desde 1960. Como parte de uma distensão entre o governo e as Forças Armadas, foram absolvidos 236 militares suspeitos de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe contra ele em 2003, no que ficara conhecido como Operação Marreta. A Justiça reconheceu que as provas do complô tinham sido forjadas. Erdogan realizou expurgos e garantiu apoio na cúpula das Forças Armadas.

Pelas regras internas de seu partido, Erdogan não podia concorrer ao cargo de deputado pela quarta vez e, por isso, lançou-se a presidente em 2014. Sua prioridade passou a ser deslocar os poderes do primeiro-ministro para o presidente. Nas eleições de junho do ano passado, porém, com 41% dos votos, o AKP não obteve a maioria para formar governo. O partido curdo HDP, que conquistou 80 cadeiras, recusou-se a apoiar o presidencialismo. Erdogan, então, pôs fim às negociações de paz com a guerrilha curda e retomou o conflito com os separatistas, que usou para unir o país em um fervor nacionalista em seu apoio. Os atentados do Estado Islâmico, lançados em junho de 2015, depois que ele permitiu o uso da base de Incirlik pela Otan para bombardear alvos do grupo, reforçaram essa união nacional em torno do governo. Erdogan convocou novas eleições para novembro e, dessa vez, o AKP obteve 50% dos votos e a maioria absoluta.

No dia 15, militares de patentes mais baixas, descontentes com a retomada do conflito curdo e com a tutela ao governo islâmico, tentaram um golpe. Erdogan impôs um estado de emergência. Até sexta-feira, mais de 18 mil pessoas haviam sido presas, 66 mil funcionários públicos demitidos – entre eles, 2.745 juízes – e 142 veículos de comunicação, fechados. Erdogan tenta justificar essa repressão com o argumento de que está enfrentando “conspiradores terroristas” do Hizmet. Mas nem o Hizmet tem relação com terrorismo nem as perseguições se limitam ao movimento. O que Erdogan está fazendo é simplesmente silenciar toda crítica contra ele.

Fonte :http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,silenciando-criticas,10000065991

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