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  • Tribunal europeu aponta 432 violações à liberdade de expressão pela Turquia desde 2002 Turquia violou o direito à liberdade de expressão 432 vezes entre 2002 e 2025, de acordo com decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), informou o site de notícias Velev....
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  • Metade dos turcos desconfia do Judiciário, com a confiança caindo para 36%, diz pesquisa Pesquisa de opinião de março de 2026 revela que metade dos turcos desconfia do Judiciário, com apenas 36% confiando nos tribunais, em um cenário de ampla erosão da confiança em instituições políticas, mídia e oposição. O levantamento mostra ainda alta confiança nas forças de segurança e reforça a ligação entre crise institucional, questões de justiça e desafios econômicos como inflação e desemprego na Turquia....
  • Governo Erdogan usa ataques sangrentos em escolas para justificar repressão a VPNs e censura na Internet na Turquia em 2026 Após ataques mortais em escolas de Şanlıurfa e Kahramanmaraş que mataram nove pessoas, o governo Erdogan propõe licenças obrigatórias para VPNs e bloqueio de serviços não conformes, alegando proteção a menores de conteúdo violento online, ampliando a censura em um país com mais de 1 milhão de sites bloqueados....
  • Turquia julga 168 ativistas por protesto contra violência contra mulheres em Istambul Um tribunal de Istambul aceitou a denúncia contra 168 ativistas — majoritariamente mulheres — que participaram de um protesto em 25 de novembro de 2024, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e agora enfrentam penas de até seis anos de prisão. A manifestação, impedida pela polícia com uso de força e gás de pimenta, terminou em detenções em massa após tentativas frustradas de leitura de um comunicado público. O caso ocorre em meio a crescentes preocupações sobre o aumento de feminicídios na Turquia, repressão a protestos e o enfraquecimento de proteções legais, agravado pela saída do país da Convenção de Istambul em 2021....
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  • Turquia acusa Ocidente de proteger suspeitos do Hizmet após rejeições massivas de extradição O ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, criticou duramente aliados ocidentais por recusarem pedidos de extradição contra indivíduos ligados ao movimento Hizmet, acusado por Ancara de organizar o golpe fracassado de 2016. Apesar de quase 2.900 solicitações enviadas a 119 países, apenas três resultaram em extradição, refletindo a falta de reconhecimento internacional da classificação do grupo como terrorista. Enquanto a Turquia promete intensificar a perseguição global ao movimento, tribunais europeus e organizações de direitos humanos continuam alertando para violações legais e abusos sistemáticos, incluindo detenções arbitrárias, uso controverso de provas e transferências forçadas de suspeitos....
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  • Ex-presidente do Supremo e ex-ministro do AKP criticam Judiciário e sistema presidencial como “desastre” O ex-presidente do Tribunal Constitucional Haşim Kılıç e o ex-ministro do AKP Hüseyin Çelik criticam o sistema presidencial turco como um "desastre" e alertam para a erosão dos direitos fundamentais e a crise no Judiciário do país....
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Porque a Turquia despencou do paraíso?

Porque a Turquia despencou do paraíso?
abril 18
10:26 2016

AKP (Partido da Justiça e do desenvolvimento) chegou ao cenário político da Turquia em 2002. Erdogan era um político conhecido como prefeito de Istambul. Ele tinha sido preso por ter recitado um poema e acabou formando um partido político após sua saída de prisão.

O estado, a burocracia e o comércio foram tomados pela elite da Turquia e naquele momento o país estava sofrendo por causa da falha das coalizões partidárias, crises econômicas muito fortes, domínio do exército pelo parlamento, falta de liberdade de expressão e abusos de diretos humanos. O partido do Erdogan foi uma saída para o povo, que foi negligenciado, discriminado e pressionado pelo estado. E também representou uma saída pois prometia mais liberdade, democracia, dialogo, aproximação com a União Europa e prosperidade para a Turquia. Ele era uma pessoa modesta, falando a mesma língua que o povo, comia a mesma comida e vivia num apartamento alugado.

Ele recebeu apoio de todos os grupos de minoria como os curdos, Aleitas, classe de empresários pequenos, grupos religiosos, inclusive o Movimento Gülen. Seu partido venceu as eleições e Erdogan conseguir chegar ao poder sem precisar fazer alguma aliança com outros partidos. No seu primeiro e segundo mandato ele seguiu uma linha pluralista e conseguiu executar um plano de economia bem-sucedido, como nunca visto antes, aproveitando o ambiente favorável aos países emergentes. Também conseguiram construir uma política externa de forma pacífica e resolveram muitos problemas regionais. Apesar das críticas das elites e pressão do exército, ele consegui ficar no governo com apoio da sociedade civil.

Esta história de sucesso foi manchada em três ocasiões:  manifestações populares, Primavera Árabe e escândalo de corrupção.

Em 2010, na sua terceira campanha eleitoral, ele prometeu fazer uma constituição nova para tirar o peso do exército dos ombros do sistema parlamentar. Ele venceu as eleições mais uma vez e consegui mandar os chefes do exército para a cadeia através de um referendum. A partir de início do terceiro mandato, a linha pluralista, moderada e pacifica do AKP foi mudada para uma linha mais centralizada, autoritária e desequilibrada. Começaram a perseguir à oposição, criar leis que somente servem para beneficiar o seu partido e transformar a sociedade através de obrigações e proibições. Neste cenário começaram as primeiras separações do partido e as críticas dos grupos aliados, como o Movimento Gülen. Esta tendência autoritária resultou nas  manifestações populares na Praça de Taksim . Ele preferiu reprimir estas manifestações usando a força, polarizando o povo e adotando um discurso mais duro.

A política externa da Turquia também começou a mudar quando surgiu Primavera Árabe. Erdogan quis aproveitar este momento histórico para estender a influência da Turquia e também para se tornar um líder regional. Por este motivo, deu apoio aberto a Irmandade Muçulmana no Egito, povos contra ditadores e a oposição na Síria. Assim, o país perdeu credibilidade na região e importou a crise no Oriente Médio para a Turquia. A economia começou perder valores e apareceram novas crises nas fronteiras com outros países, como Rússia.

Quando se aproximou o fim do seu terceiro mandato, uma investigação policial revelou um grande escândalo de corrupção, grampos telefônicos, em que vários ministros, políticos, empresários e até próprio Erdogan negociando, todos eles foram acusados de receber propinas e a fazerem lavagem de dinheiro. Durante seu primeiro e segundo mandato, ele tinha conseguido transformar uma boa parte da mídia em uma linha editorial pró-governista. Quando as coisas começaram piorar, Erdogan utilizou a imprensa no seu domínio, inclusive TV estatal, como uma ferramenta para guardar sua popularidade e esconder as informações de investigação do povo. No primeiro cenário, ele não aceitou e disse que isto era uma tentativa de golpe para o governo e para sua família. Na segunda etapa, ele começou sua campanha eleitoral para ser eleito como presidente, pedindo votos para combater “os golpistas”. Assim criou um inimigo virtual chamado “estado paralelo”, atribuindo esta investigação policial e decisão judicial aos seguidores do movimento Gülen. Ele consegui vencer as eleições e foi eleito como presidente (premiê) e reverteu o julgamento de corrupção para um julgamento de golpe. Para concretizar a sua defesa, ele declarou uma “caça às bruxas” e criou uma corte especial, formada por uma equipe de juízes comprados, para fundamentar seu autoritarismo.

Esta declaração foi o início de uma queda forte dos valores democráticos no país. A partir deste momento, começou uma perseguição aberta às entidades do movimento, fechando as escolas e hospitais, processando os empresários e recentemente tomando controle dos jornais. Durante um tempo, esta perseguição foi ampliada e incluiu todos os grupos e indivíduos até jornalistas, acadêmicos, funcionários públicos que não eram fiéis a Erdogan.

Por Kamil Ergin

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